sexta-feira, 16 de março de 2012

Páscoa mais ou menos

Dizem que os ovos de páscoa (desta vez, em minúscula mesmo) estão quase 40% mais caros neste ano. Quem sabe ou procura saber o que é a Páscoa (maiúscula) comemora a data e não precisa se submeter a esse joguinho mesquinho do mercado. Recomendo que deixemos os tais ovos se perderem nas lojas... Que fiquem lá, dependurados, batendo na cabeça dos desavisados. A verdadeira Páscoa, festa da vida, é mais saborosa que um reles chocolate! Pronto, falei!

quinta-feira, 15 de março de 2012

Esses caras não se entendem

Engraçado... cada hora os "especialistas" estão com uma. Diziam que o abacate era gorduroso e maléfico, agora dizem que faz bem; que o leite era ruim para os adultos, agora, que faz bem; que a pimenta era prejudicial para a saúde, agora não. A última é o ovo e a banha de porco. Dizem que fazem bem, e muito! Estou esperando a vez da cerveja, para eu tomar uma gelada e ficar de consciência tranquila. Pronto, falei!

terça-feira, 13 de março de 2012

Heim, jugo hereditário!?

Esse povo me arruma cada coisa... Quando penso que vi a imbecilidade em si, vem outra ainda maior. Alguns cristãos (amadores) arrumaram uma tal de "oração de quebra do jugo hereditário". Para mim, uma aberração com todas as letras, acentos e vírgulas. Significa que um determinado mal passa de uma geração para outra, e a tal reza quebra isso. Isso vai contra qualquer bom senso primário do cristianismo. Para os seguidores de Jesus, sejam católicos, ortodoxos ou evangélicos, não existe isso. Cada um no seu quadrado, cada um se responsabilize por seu próprio pecado e todos pela santificação do outro. No cristianismo, não há carma, purificação individual por meio da reencarnação e outras dívidas eternas (estas, só as do Brasil mesmo). A redenção dada por Jesus não é meia-boca, mas plena. Não precisa de remendos. Nada mais a declarar sobre o caso, e que me perdoem os que se ofenderam. De minha parte, eu não retiro o que disse. Pronto, falei!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O escritor que tinha preconceito pelo feio

Lamento o falecimento do escritor Bartolomeu Campos de Queirós. Ele era muito bom e me ensinou a ter um "profundo desprezo" por muitos políticos e não pela política. Ele também gostava de dizer que o mundo é um grande livro a ser lido por nós e que tinha um grande preconceito pelo feio do mundo. Ele era mais conhecido fora do que dentro do Brasil. Era um sábio. Uma grande perda para a literatura.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O que tenho a declarar sobre esse tal de "tablet"

Não estou nem aí para quem não gostar, mas digo algumas de minhas opiniões sobre esse tal de tablet (tabuleta, em português), iPad (e similares):

- extinguirá a guerra de bolinhas de papel nas salas de aula;
- não nos permite rasgar as páginas chatas, profanas ou imbecis e jogá-las solenemente no lixo;
- não nos possibilita usá-lo em casos de emergência gastrointestinal;
- tem um "P" maiúsculo no meio da palavra (modismo ortográfico totalmente ridículo, como a maioria dos modismos);
- abolirá os aviões, os chapéus e os barquinhos de papel;
- faz os adeptos acreditarem cega e simploriamente que o meio é mais importante que o conteúdo;
- gostaria de ver como seriam as artes em dobradura ("origami") feitas de páginas virtuais;
- não nos permite usá-lo para equilibrar mesas;
- se cair no chão, já era;
- exterminará os marcadores de página artisticamente trabalhados e dados como lembrancinha;
- faz muitos medíocres acreditarem que sabem tudo de tecnologia;
- leva alguns mais medíocres ainda a cultuarem o tal fundador da Apple;
- desperta a "religiosidade" de idiotas que acendem velas virtuais pela alma do mesmo tal fundador enquanto eles "orgulhosamente" desprezam a cultura religiosa em si;
- abolirá aqueles bonequinhos de mãos dadas, que fazemos para aplacar a ira de meninos pirracentos;
- não tem cheiro de livro novo (cujo valor só os bons leitores conhecem);
- enquanto se lê o tal "e-book", não se tem a sensação de que o livro está chegando ao fim;
- um conteúdo virtual sem neurônios reais que o processem vale muito pouco;
- condenado a virar peça de museu em poucos anos (quer apostar?);
- não faltam pessoas e governos que saem distribuindo o aparelho para educadores, mas não se preocupam em valorizá-los como seres humanos e profissionais (isso vale também para os salários);
- desperta o ridículo e ingênuo deslumbramento dos adultos; enquanto isso, crianças e adolescentes mais atentos veem o treco como algo mais normal do mundo e tiram sarro dos admirados;
- documentos antiquíssimos impressos em papel, couro, pedra e barro existem até hoje, quero ver isso sucederá com as tais maquininhas.

Para evitar ambiguidades, se alguém quiser me dar um desses trecos, eu aceitarei de bom grado. Arrumarei alguma função para ele.

Quem quiser, pode completar. De minha parte, tenho-o dito.



sábado, 5 de março de 2011

Tiririca, o Sério

Alessandro Faleiro Marques*

Talvez pela costumeira falta de foco, incompetência ou por “ordens superiores”, a imprensa nacional e até a estrangeira estão apontando excessivamente os holofotes para o deputado federal que mais ganhou votos no Brasil, o Dr. Francisco Everardo Oliveira Silva, o palhaço Tiririca. Nos últimos dias, as jocosidades diárias ganharam fôlego depois de o Dr. Tiririca estrear na Comissão de Educação e Cultura da Câmara. Logo ele, dizem alguns, suspeito de ser analfabeto e ter de passar por um exame para comprovar o conhecimento da língua que ele e nós usamos desde pequeninos.

A Carta de 1988 reforçou o direito de cidadãos se candidatarem a cargos eletivos, respeitados alguns requisitos. Jornalistas, comentaristas e pseudointelectuais estão com as lentes viradas para um único lado. Doutor Tiririca, sustentado pela norma legal e moral, apenas exerceu seu direito. Candidatou-se e foi votado. A maioria de nós tem essa prerrogativa. Por parte desse artista, não houve coação de eleitores, abuso de poderes econômico e político, sequer tinha a ficha suja, segundo os novos modelos (pelo menos até agora).

Mais do que fazer chacota do parlamentar, os palpiteiros, profissionais ou não, deveriam começar a analisar quem o mandou para Brasília: as centenas de milhares de eleitores paulistas, muitos certamente nascidos nos mais diversos cantos deste País. Gente que desconhece a importância do processo democrático e vota por votar. Pela democracia é que estamos assistindo ao sangue jorrar em várias partes do mundo, em especial no Oriente Médio e Norte da África. Brincar com ela é zombar, e isso não tem graça.

Sua Excelência disse que defenderá os direitos dos palhaços e apoiará a causa dos circos. Lembro-me de que o caos em que se encontravam esses locais de diversão foi tema até de um Globo Repórter. Alguém tem dúvidas de que o espetáculo circense é uma louvável face de nossa cultura?

Questiono os motivos de não haver o mesmo rigor com outros políticos, inclusive os escolhidos em outros tempos. Os palácios por este Brasil estão cheios de “artistas”. De dono de castelo encantado a driblador, dos que se acham deuses, grandes dançarinos ou cantores aos sonhadores (talvez estes sejam até necessários), dos mágicos aos vilões. Numa democracia, deve-se lembrar de quem foi votado e de quem votou, e ambos devem cobrar e serem cobrados.

Doutor Tiririca, à Vossa Excelência os meus respeitos.


* Alessandro Faleiro Marques é professor, redator e revisor de textos. Texto original publicado no site Caos e Letras (www.caoseletras.com).

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O cavalo que era burro

Alessandro Faleiro Marques*

Aquele quadrúpede ali, de boca requebrante a moer o capim. Quem o vê nem imagina o que o bicho já fez pelo bairro, talvez pela cidade. Não sabe, mas hoje é o último expediente dele e do dono no serviço de entrega de uma loja de materiais de construção. Enfim saiu a aposentadoria. Não sabe.

Sempre pronto, do seu jeito, acha que ainda hoje carregará mais algum peso no veículo atrelado ao dorso. Meio cansado, meio disponível, rói o milho que acaba de ganhar do velho homem, com quem trabalhou uns bons anos. Parece estranhar o quitute raro, afinal não estava muito acostumado com algo além do capim cortado nos cada vez mais raros lotes vagos pelo caminho.

Inverbalizado, sente que o dono está estranho, falando mais baixo, bem diferente dos roucos gritos pré-chicote, outrora mais vigorosos. Ganha um inédito afago de dois homens, os mesmos de sempre, que costumam colocar na carroça aquilo que ele deve carregar. Também, hoje, conversam leve.

O mamífero orelhudo, meio censurado pelas viseiras, viu as ruas dali se alterarem. Aos poucos, foram sumindo os atoleiros e alisando-se o piso. O antigo silêncio, algumas vezes quebrado por algum moleque, cantar de galo ou martelar, foi dando lugar ao ruir de motores, depois às sirenes e até aos estalares estranhos aos seus ouvidos. Estes últimos, notava sem muita pretensão, eram quase sempre seguidos de gritos, de mais roncos mecânicos e, logo em seguida, de apitos de emergência. Nunca escondeu de ninguém ser os estampidos cheirando a enxofre os mais a incomodá-lo, sendo responsáveis pelos quase acidentes e açoites mais nervosos do velho que agora o dá outra espiga.

Ele não sabe, mas deveria ganhar uma estátua ou pelo menos uma placa lá na pracinha, cuja grama já lhe foi mais abundante. É o último dia. Ninguém reconhece, mas o cavalo é quem ajudou a construir a comunidade. As viseiras o impedem de entender isso. Coitado!


* Alessandro Faleiro Marques é professor, redator e revisor de textos. Texto original publicado no site Caos e Letras (www.caoseletras.com).

domingo, 12 de dezembro de 2010

Dedos voltados para o céu

Alessandro Faleiro Marques*

(Dedico este texto a Márcio Almeida, grande teólogo, a quem devo algumas palavras há muito tempo.)

As residências já piscam para as celebrações de Natal. Obviamente, as lojas acenderam as estéreis luzes há muito tempo, pouco se importando com o sábio ritmo litúrgico desta época (aliás, nem devem saber o que é isso). Alguns entre tantos também arrumam a casa do próprio espírito. Buscam festejar, da forma mais digna possível, o nascimento de Jesus.

Neste ano, minha reflexão se baseia numa foto publicada num noticiário da internet. Uma imagem extremamente chocante para mim, na qual um muçulmano reza de dedos voltados para o céu. Nada de mais, não fosse a mancha amarela viscosa no rosto do homem. A mácula foi causada por ovos lançados pela dureza de alguns “cristãos” ortodoxos de Atenas. Os agressores acusam os filhos de Alá, a maioria imigrantes, de causarem distúrbios na área. Os agredidos denunciam preconceito e afirmam faltar a eles um lugar digno e seguro para o culto, sendo obrigados a se reunir numa praça.

Creio que eu, um frágil seguidor de Cristo, teria dificuldades profundas de orar num ambiente desses. Mas o moço está de olhos entreabertos. De boca silenciosa e rosto humilde, louva o Deus de Abraão, nosso pai comum. A cena me deixa inquieto até hoje. O maior sentimento é de profunda vergonha por meus patrícios espirituais terem violado um momento tão importante para os discípulos de Maomé. O outro é de penitência, de reconhecimento das limitações de minha veia transcendente. Nunca conseguiria concentrar-me, nem mesmo em pose para a foto. Por último, de compaixão por islâmicos, cristão, umbandistas, judeus, budistas e outras pessoas que ainda sofrem ataques por causa de sua crença, seja na Grécia, na Palestina, no Iraque, no Brasil, na China ou em qualquer lugar.

Aos heróis da verdadeira fé, seja ela qual for, minhas homenagens neste Natal. Rezarei por quem faz da religião um caminho mais curto de chegar ao Deus, autor da vida, por aqueles que pouco se importam com as “tendências atuais” e, assim, multiplicam a herança de paz e justiça de legítimas assembleias orantes. Seja nosso louvor o “escândalo” não só no tempo de pisca-pisca, mas por todo o ano. E que todos tenham um lugar onde fazer isso.


* Alessandro Faleiro Marques é professor, redator e revisor de textos. Texto original publicado no site Caos e Letras (www.caoseletras.com).

sábado, 9 de outubro de 2010

Ouvi o canto dos antigos

Alessandro Faleiro Marques*

Para protesto de meus amigos, que ficaram semiprivados de minha audiência nas vitais microassembleias etílicas de sexta-feira à noite, deixei-me ser enfeitiçado pelo canto da sereia linguística. Meus ouvidos encheram-se de palavras sonoras como declinação, acusativo, particípio futuro, gerundivo e muitas outras. E, impelido pela genética de minhas células curiosas, já estou de pé quase todo sábado, bem cedo. Com ou sem gosto de cabo de guarda-chuva na boca, coloco minha maletinha debaixo do braço e vou para o curso de latim.

Já estou quase no fim, e isso me deixa um pouco mais atrevido para opinar sobre a tal língua-mãe. A primeira coisa é questionar a simplória ideia de o idioma de Virgílio ter dado origem ao português. Não é bem assim. Entre outros “empréstimos”, os romanos pegaram muito da gramática dos gregos, cuja brilhante cultura nem a poeira das sandálias dos centuriões conseguiu ofuscar. Quem é vítima desse clichê parece ter se esquecido da vasta contribuição indígena, africana, árabe e anglo-saxônica, por exemplo, ao nosso léxico. Seja como for, admito: a cada aula, fico mais impressionado com a nossa herança do Lácio.

Apesar de ser loucura para os de fora, considero esse estudo um bom programa. Passo um bom tempo tentando descobrir e reordenar vocábulos metamorfoseados conforme sua função na frase. Posso garantir, é muito melhor do que palavra cruzada. Cérebro funcionando, dizem, ajuda a combater doenças como o mal de Alzheimer, por isso o latim é, no mínimo, um remédio anticaduquice.

Os termos latinos são uma mescla de exótico e sagrado, selvagem e belo. Enquanto as palavras se deixam amansar para nosso idioma, sinto uma entorpecente sensação de crescimento, de respeito, de um refinado “sei-que-nada-sei”.

Outro encanto foi apreciar a Vulgata, a tradução do texto bíblico para o latim conduzida por São Jerônimo. Até onde eu vi, o método é um exemplo para os escritores de hoje. O santo e doutor da Igreja procurou divulgar, de modo muito claro, uma mensagem profunda. Tudo sem firulas, sem eruditismos. Para ele, quanto mais gente conhecesse a Boa-nova, melhor. Também me impressionei com a sabedoria das fábulas de Fedro, uma legítima coletânea de “causos” atualizáveis no dia a dia.

O idioma em si é um espetáculo à parte. Em poucas palavras, aquele povo dava o recado. O latim pede raciocínio, paciência e uma mesa enorme, para que se abram livros e livros para consulta simultânea, uma forma de fugir das traquinagens dos vários falsos cognatos.

Com esse estudo, caiu, pelo menos para mim, mais um mito. O fato de estudar latim não faz ninguém entender o português, até porque nós, falantes nativos, já sabemos este. Ao contrário, conhecer um pouco da nossa gramática me ajudou muito a encarar as aulas da manhã de sábado. Os professores também me surpreenderam. São de bem com a vida, jovens e transmitem segurança. Bem diferente de alguns de outrora, ranzinzas e adoradores do antigo decoreba.

Minha decepção foi ver o descaso que as editoras brasileiras têm com o idioma de Ovídio. Uma delas, entre as menos acomodadas, simplesmente publicou um fac-símile de um dicionário da década de 1920. Em caminho inverso a outros países, como os da Europa, há pouca coisa nova por aqui. Por isso, vida longa aos sebos! Outra chatice foi ter de justificar para alguns o motivo de meu estudo. Ora, pois sou das letras e fui escolhido por elas! E o papo de língua morta? Vejo o latim, junto com outros sistemas antigos, sobreviver em nossas palavras e no cotidiano de milhões de pessoas em todo o mundo.

Hoje existe uma estrutura bem montada para não aprendermos com os mais velhos. A principal lição do curso, contudo, é o retorno ao antigo costume de ouvir o outro, mesmo que este tenha vivido dezenas de séculos atrás. Que a sereia continue a cantar.


 
* Alessandro Faleiro Marques é professor, redator e revisor de textos. Texto original publicado no site Caos e Letras (www.caoseletras.com).

sábado, 4 de setembro de 2010

Candidato, cuidado com o eleitor ficha suja

Alessandro Faleiro Marques*

Como torço por sua vitória nas eleições, já vou chamar-lhe de Excelência, para o senhor ir se acostumando com o justo título. Sinceramente, não tenho medida do quanto é difícil disputar esse vestibular da democracia. Muitos comícios, argumentos, contra-argumentos, e o pior, ter de viver num ambiente repugnante para a maioria das pessoas. Tenha paciência e seja persistente. Excelência, em muitas nações, há lutas sangrentas para a conquista do direito que, nós, eleitores, muitas vezes desdenhamos por aqui. Possamos aproveitar bem essa oportunidade.

O senhor é honesto, trabalhador, consciente da missão de serviço a qual se propõe. Se me permite, Excelência, gostaria de dar-lhe um fraternal conselho: cuidado com o eleitor ficha suja, corrupto, de alma imunda, propagador das misérias e das injustiças de cada dia. Semana passada, outro candidato merecedor do título com que lhe honro confessou-me estar revoltado. Foi abordado por uma senhora, e esta lhe pediu um caminhão de areia em troca do voto. Ainda chocado pela imoralidade da mulher até outrora respeitável, ele me disse tê-la mandado para o inferno. Achei isso maravilhoso! O senhor também faria isso, mesmo com outras palavras, tenho certeza.

Já ouvi de alguns vizinhos a queixa de que não ganham mais nada, perderam o “direito” de ver aquela dupla sertaneja famosa aqui, bem perto de casa, de graça. “Não se fazem eleições como antigamente”, dizem. Pois é, Excelência, agora posso ouvir, sem confetismos, o que o senhor e os outros candidatos têm a dizer. Suas propostas para cuidar da “res publica”, a coisa de todos.

Eu estava pensando... o desonesto deve adorar essa história de todo político ser chamado ladrão. Isso serve para enfraquecer as propostas de mulheres e homens sérios e fortalecer os adoradores do egoísmo, da antivida e da injustiça. Quando se generaliza, colocam-se todos como “farinha do mesmo saco”, abafando-se quem quer trabalhar. Mais uma vez, suplico ao senhor: tenha persistência e coragem. Sou testemunha de seu empenho em favor da vida em abundância, sobretudo para os mais fracos.

Eu apoiarei seu protesto contra o eleitor corrupto, principalmente contra aqueles com esclarecimento suficiente para ter ideia dos próprios atos. Prometo não render mais conversa quando alguém chegar falando mal dos políticos. Denegrirei quem deixa de votar em pessoas como o senhor e escolhe os que se corrompem. Se uma pessoa eleita é ruim, muitas vezes ela o era assim antes. Pilantra é quem, sabendo disso, insiste em mantê-la em tão honorável serviço.

Cá entre nós, o senhor acharia ser preciso existir uma lei contra candidatos “ficha suja”? Se os cidadãos levassem a sério a importância da escolha dos próprios representantes, a legislação seria apenas um apoio para proteger os mais débeis ou distraídos. O mesmo candidato que xingou a mulher corrupta me contou que, no partido em que é filiado, sobraram apenas sete candidatos de uma lista de oitenta. Se o povo fosse mais cuidadoso, os setenta e três barrados sequer tentariam se inscrever, pois teriam a certeza de não serem eleitos.

Desejo ao senhor muita sorte e, aos meus irmãos eleitores, muito juízo. Quanto aos sujos, todos eles, vassoura!


* Alessandro Faleiro Marques é professor, redator e revisor de textos. Texto original publicado no site Caos e Letras (www.caoseletras.com).