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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

O presépio é feio


O presépio em si é feio! Feio mesmo! Uma criança que nasce em um cocho, no meio dos animais, num curral! Pai e mãe excluídos, sem plano de saúde, sem teto, sem agasalho e contando apenas com o bafo dos bichos para se aquecerem. As primeiras visitas: um bando de desconhecidos, os então malvistos pastores.

Aos olhos da fé, contudo, o presépio é lindo. Mas, como a legítima espiritualidade, é comprometedor. Após o parto, a mãe envolve o recém-nascido em faixas. O amor cabe em qualquer lugar. Para a decepção dos caçadores cegos de prosperidade, Jesus menino vem pobre, paupérrimo, humilhado, e morre como tal.

É cena desconcertante para quem acha que os sem-tudo são todos vagabundos, e pronto. “E não havia lugar para eles.” Um incômodo para quem, sazonalmente comovido diante do arranjo moldurado por musgos e festões, um dia acaba descobrindo que ainda há crianças nascendo em comedouros de animais, em estábulos, em corredores frios, na rua e em barracos de lona e bambu. Porque não há lugar para eles.

A sagrada estrebaria é um inconveniente aos emocionados com o menino no cocho enfeitado e, ao mesmo tempo, odiosos a quem luta pelos pequenos de hoje não nascerem assim.

Na beleza da fé, um santo, encorajador e feliz Natal!

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Matrimônio: cuidado com os penduricalhos

A última: um jornal de Belo Horizonte publicou uma reportagem falando sobre a importância de haver um "assessor" para a cerimônia de matrimônio. Eu, católico descarado, digo: "NÃO É IMPORTANTE haver um assessor para a cerimônia na igreja". Por culpa de muitos (inclusive dentro de muitas paróquias), estão sofisticando demais algo que, por si só, já é muito bonito. Isso e muitíssimos outros penduricalhos encarecem a celebração e, o pior, acabam inibindo aqueles que desejam buscar a bênção nupcial, um sacramento, mas não têm condições financeiras. Muitas vezes, esses pobres são bilionários de espiritualidade e de comprometimento. Por interesses nada divinos, há gente complicando demais as coisas. Não nos esqueçamos das palavras de Jesus: "Meu fardo é leve, meu jugo é suave". Em resumo, voltemos às origens, ao óbvio, à essência.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

"Hoje e não amanhã"


Alessandro Faleiro Marques

Às vezes, o conhecimento vem de onde menos esperamos. Veja o que veio escrito no papel do pão, exatamente no Dia de Finados de 2011. Muito apropriado para estes dias em que homenageamos nossos irmãos falecidos.

Hoje e não amanhã

Prefiro que partilhes comigo uns poucos minutos agora que estou vivo, e não uma noite quando eu morrer.

Prefiro que apertes suavemente a minha mão agora que estou vivo, e não apoies o teu corpo sobre mim quando eu morrer.

Prefiro que faças um só telefonema agora que estou vivo, e não uma inesperada viagem quando eu morrer.

Prefiro que me ofereças uma só flor agora que estou vivo, e não me envies um formoso ramo quando eu morrer.

Prefiro que elevemos ao céu uma oração agora que estou vivo, e não uma missa quando eu morrer.

Prefiro que me digas palavras de alento agora que estou vivo, e não um dilacerante poema quando eu morrer.

Prefiro que toques um só acorde de guitarra agora que estou vivo, e não uma comovente serenata quando eu morrer.

Prefiro que me dediques uma pequena prece agora que estou vivo, e não um pomposo discurso quando eu morrer.

Prefiro desfrutar de todos os mínimos detalhes agora que estou vivo, e não de grandes manifestações quando eu morrer.

Prefiro que digas o que sente por mim, agora que estou vivo, a ouvir um grande lamento porque não disseste a tempo, depois que estiver morto.

Aproveitemos os nossos queridos enquanto eles estão entre nós.

Valorize as pessoas que estão à sua volta.

Ame-as, respeite-as, lembre-se delas...

Enquanto estão vivas!





sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Os "devotos" de São Judas

São Judas Tadeu
Pintura de Georges de la Tour
(1593-1652)
Alessandro Faleiro Marques

O apóstolo Judas Tadeu é o "Santo das causas impossíveis", como a imprensa e até alguns da Igreja dizem? Eu, católico desavergonhadamente assumido, digo: NÃO! O verdadeiro santo das causas impossíveis é só Jesus Cristo e nenhum outro. São católicos mais ou menos os "devotos" de São Judas Tadeu que estacionam o carro no ponto de ônibus, na contramão, em fila dupla e vão à igreja só pedir "coisas" para o apóstolo. Essas pessoas passam por cima da lei e do próximo para demonstrarem muita fé, mas poucas obras.

Segundo o Catecismo da Igreja Católica, os santos intercedem por nós e nos acompanham neste mundo. Infelizmente, muitos se esquecem de que eles foram fiéis a Cristo até o fim, a ponto de até serem assassinados por isso. Por essas e outras, os apóstolos Judas Tadeu e Simão, ambos comemorados em 28 de outubro, são homens que devem ser imitados por todos nós, cristãos, independente de denominações. 


Louvemos a Deus por Ele ter escolhido Judas Tadeu e Simão, seres humanos como nós, para serem duas das "doze colunas da Igreja". E não se esqueça de orar (ou rezar) por mim e por nossas famílias. Ah, estacionar em local proibido é pecado, viu!

Em tempo: um abraço a meu amigo Anselmo Morais, que faz aniversário neste dia 28!


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Curiosidade: o que São Francisco quase disse

"São Francisco de Assis e cenas de sua vida." Ícone pintado por Bonaventura Berlinghieri, em 1235, uma das primeiras representações do famoso santo.

Alessandro Faleiro Marques*


Curiosidade: "Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz; onde houver ódio, que eu leve o amor; onde houver ofensa, que eu leve o perdão...". Essa oração, mesmo linda, não é de São Francisco (1182-1226), mas dedicada ao santo italiano. Foi escrita por um religioso francês e no início do século XX, tempo de muito sofrimento. A confusão surgiu porque ela foi impressa no verso de uma pequena estampa do famoso santo. Assim, começou a ser popularmente chamada de "Oração de São Francisco".

Sugiro conhecer a inigualável e doce prece "Cântico das Criaturas", esta, sim, do Santo de Assis, composta pelo ano de 1224. A seguir, veja a oração em português e o texto original, em dialeto úmbrio.


Altíssimo, onipotente, bom Senhor,
a ti o louvor, a glória, a honra e toda a bênção.
A ti só, Altíssimo, se hão-de prestar
e nenhum homem é digno de te nomear.

Louvado sejas, ó meu Senhor, com todas as tuas criaturas,
especialmente o meu senhor irmão Sol,
o qual faz o dia e por ele nos alumias.
E ele é belo e radiante, com grande esplendor:
de ti, Altíssimo, nos dá ele a imagem.

Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Lua e as Estrelas:
no céu as acendeste, claras, e preciosas e belas.

Louvado sejas, ó meu Senhor, pelo irmão Vento
e pelo Ar, e Nuvens, e Sereno, e todo o tempo,
por quem dás às tuas criaturas o sustento.

Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Água,
que é tão útil e humilde, e preciosa e casta.

Louvado sejas, ó meu Senhor, pelo irmão Fogo,
pelo qual iluminas a noite:
e ele é belo, e jucundo, e robusto e forte.

Louvado sejas, ó meu Senhor, pela nossa irmã a mãe Terra,
que nos sustenta e governa, e produz variados frutos,
com flores coloridas, e verduras.

Louvado sejas, ó meu Senhor, por aqueles que perdoam por teu amor
e suportam enfermidades e tribulações.
Bem-aventurados aqueles que as suportam em paz,
pois por ti, Altíssimo, serão coroados.

Louvado sejas, ó meu Senhor, por nossa irmã a Morte corporal,
à qual nenhum homem vivente pode escapar:
Ai daqueles que morrem em pecado mortal!

Bem-aventurados aqueles que cumpriram a tua santíssima vontade,
porque a segunda morte não lhes fará mal.

Louvai e bendizei a meu Senhor, e dai-lhe graças
e servi-o com grande humildade…


Texto original


Altissimu, onnipotente bon Signore,
Tue so' le laude, la gloria e l'honore et onne benedictione.
Ad Te solo, Altissimo, se konfano,
et nullu homo ène dignu te mentovare.

Laudato sie, mi' Signore cum tucte le Tue creature,
spetialmente messor lo frate Sole,
lo qual è iorno, et allumeni noi per lui.
Et ellu è bellu e radiante cum grande splendore:
de Te, Altissimo, porta significatione.

Laudato si', mi Signore, per sora Luna e le stelle:
in celu l'ài formate clarite et pretiose et belle.

Laudato si', mi' Signore, per frate Vento
et per aere et nubilo et sereno et onne tempo,
per lo quale, a le Tue creature dài sustentamento.

Laudato si', mi' Signore, per sor Aqua,
la quale è multo utile et humile et pretiosa et casta.

Laudato si', mi Signore, per frate Focu,
per lo quale ennallumini la nocte:
ed ello è bello et iocundo et robustoso et forte.

Laudato si', mi' Signore, per sora nostra matre Terra,
la quale ne sustenta et governa,
et produce diversi fructi con coloriti flori et herba.

Laudato si', mi Signore, per quelli che perdonano per lo Tuo amore
et sostengono infirmitate et tribulatione.
Beati quelli ke 'l sosterranno in pace,
ka da Te, Altissimo, sirano incoronati.

Laudato si' mi Signore, per sora nostra Morte corporale,
da la quale nullu homo vivente po' skappare:
guai a quelli ke morrano ne le peccata mortali;

beati quelli ke trovarà ne le Tue sanctissime voluntati,
ka la morte secunda no 'l farrà male.

Laudate et benedicete mi Signore et rengratiate
e serviateli cum grande humilitate…


* Redator, professor e revisor de textos.


sábado, 14 de setembro de 2013

Aparição ou assombração?

Alessandro Faleiro Marques

Realmente há muita ovelha perdida por aí. Agora uma tal Fraternidade e outros promoters esotéricos andam agendando "aparições" da Virgem Maria por todo lado. Precisa ver o monte de gente, principalmente de católico meia-boca, aglomerou-se para assistir ao "fenômeno". 

Pessoal, não perca tempo! Vá para casa e assista ao futebol e até à "bendita" novela. De repente, rola até de passar num botequinho e tomar uma gelada. Com certeza, se a companhia for boa, os ganhos espirituais serão muito mais proveitosos. Quem gosta de ver mágica, que tal ir a um circo? Não seria melhor valorizar um artista?

Em tempo: quem quiser saber o que Maria tem a dizer e, o melhor, ver o exemplo que ela nos deixou, basta consultar os Evangelhos. Se tiver tempo e curiosidade suficientes, veja também os Atos dos Apóstolos e o Apocalipse. Está tudo lá!

No mais, estou achando é que essa gente anda vendo mesmo é assombração! Cruz credo, ave Maria!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Uma relíquia na torre


Alessandro Faleiro Marques

Nestes cem anos, a Matriz de Nossa Senhora do Carmo tem sido um cenário privilegiado onde Deus e homens se escutam. As largas paredes do imponente templo de Carmo do Cajuru, na região Centro-Oeste de Minas Gerais, são testemunhas de quantos ali se fizeram santos por meio do Evangelho ecoado pelas vozes de presbíteros, da rústica doçura do coral litúrgico, do perfume solene do incenso e da luz devota das velas.

Poucos, porém, conhecem um segredo marcado na torre. Em um canto privado da luz do sol e dos olhares piedosos dos cajuruenses, há uma relíquia de um desses santos formados em nossa paróquia-mãe. Uma lembrança deixada em 1980 por um humilde jovem está grafada na parede interna voltada para o sudoeste, na altura do telhado da nave central. Nesse lugar, lê-se “Gerson”, simplesmente.

Algumas vezes, tive o privilégio de subir pela torre, chegar perto dos sinos e contemplar, do alto, a vista da cidade. Maior honra, contudo, foi ver a lembrança deixada por aquele jovem operário, ajudante de meu pai e amigo de toda a minha família. Uma espécie de pequeno oratório nosso dentro da igreja centenária.

Esse rapaz, há muito “canonizado” por nós, trabalhou como servente de pintor na reforma da matriz, promovida pelo cônego João Parreiras Villaça bem no final da década de 1970. Era alegre, de voz suave, corpo magro, pele e cabelos claros.

Uma tragédia, contudo, tornou nublado um dia de folga. Uma arma de chumbinhos, disparada acidentalmente ao cair no chão, levou o sofrimento ao moço, na época, com 17 anos. Ele lutou pela vida durante muitos dias no Hospital São João de Deus, em Divinópolis. Jesus o quis presente na reforma do templo físico e também na sua própria Paixão divina. Gerson não carregava mais escadas ou latas de tinta, mas o próprio peso da Cruz. Num úmido início de noite de outubro de 1981, com intensa agonia, ele nos deixou. Tudo estava consumado.

A agonia de Gerson Santil, filho de família bondosa do Bairro Bonfim, deixou muito comovidos a nós e ao próprio cônego João. Lembro-me do célebre pároco presidindo a missa de corpo presente dentro daquele templo que o trabalhador pouco antes ajudara a embelezar. Um homem canonizado pelo povo saudava outro santo do próprio povo. Uma história grandiosa, mas silenciosa, como são muitos dos mistérios de Deus. Hoje, lá na torre, na singeleza de umas pinceladas, está o nome de um anjo, profeticamente representando outros milhares de anônimos que, rodeados por essas paredes, salvaram-se para Deus.

Um dia, algum desavisado pintor apagará a inscrição, até há pouco respeitada pelos colegas que participaram das reformas nas décadas seguintes. Outra profecia de um evangelho do cotidiano: as coisas deste mundo passam, mas não o nome dos que vivem em algum lugar do coração de Cristo, o Templo Vivo.

* Dedico esse texto à família e amigos de Gerson, e aos trabalhadores de Carmo do Cajuru, meus conterrâneos.



Compus esse texto para o concurso do centenário da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo, celebrado no dia 15 de setembro de 2012, em Carmo do Cajuru-MG. Nesse templo, eu e muitos de meus parentes atuais e ancestrais fomos batizados. Ouvi dizer que fui desclassificado porque eu falava somente da torre e não do templo (rsrsrs). Acho que, com o dedo errado, mostrei a Lua. Seja como for, viva minha terra!


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Jovens engajados, imprensa e JMJ

Jovens de pastorais sociais participam do
Grito dos Excluídos, em 7 de setembro de 2012, em São Paulo-SP


Bem que eu notei que faltava alguma coisa... Na Jornada Mundial da Juventude, os veículos de comunicação registraram a grande festa dos jovens no Rio de Janeiro. Muita dança, som alto, olhinhos fechados e mãozinhas pra cima louvando e aplaudindo a Jesus. Alguma coisa me fazia perguntar onde estariam os jovens das pastorais sociais da Igreja. Por onde andariam, na Jornada Mundial da Juventude, os engajados nas pastorais afro-brasileira, indígena, da terra, da juventude, da criança, operária, da saúde...? Até que, tarde da noite, um jornal da Rede Pública de Televisão (repito, Rede Pública) mostrou que, felizmente, esses nossos irmãos estavam lá. Com bandeiras dos respectivos grupos e do Brasil, cruzes e faixas, protestavam profeticamente contra as injustiças em nosso País. Não vi nada deles nas emissoras católicas e muito menos nas grandes emissoras (é claro!). Estou feliz por ser irmão desses jovens que denunciam as trevas e anunciam a luz. Esses, sim, às vezes silenciosos e quase sempre silenciados, enchem-me de orgulho de ser cristão e explicam verdadeiramente por que nosso Papa tem nome de Francisco. Pronto, falei!


domingo, 25 de agosto de 2013

Clericalismo?

Não tenho resposta para estas perguntas: de repente, tornar-se um cristão animado e interessado porque o Papa atual também é animado, interessante e carismático não seria uma forma de clericalismo? E se ele, como humano que é, falhar em alguma coisa? A fonte do ânimo de um cristão não deveria ser Cristo, sempre? No mais, o Chico está matando a pau!

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Conhecimento pelo nariz

Já que tem gente mandando cheirar a Bíblia, acho que vou fazer o mesmo com os livros de Guimarães Rosa. Acho mais produtivo. A mensagem Bíblica foi feita para ser vivida, estudada, contemplada e propagada. Penso que cheirá-la não ajuda muito. Pessoal, mais evangelho e menos espetáculo. Pronto, falei!

quarta-feira, 31 de julho de 2013

O puxão de orelha do Papa

Os irmãos de outras comunidades cristãs não considerem os que promovem a desunião. Os puxões de orelha que o Papa deu durante a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, foram para nós, católicos, que estávamos nos esquecendo do essencial. Pouca coisa que ele falou era novidade. Mas, como diz o ditado, "o óbvio tem de ser lembrado para não ser esquecido". Pronto, falei!

terça-feira, 30 de julho de 2013

"Ressaca da JMJ"

É óbvio que uso de forma irônica a expressão "ressaca". Na verdade, eventos religiosos não costumam acabar como o carnaval. Os bons, como a Jornada Mundial da Juventude, realizada de 23 a 28 de julho deste ano, no Rio de Janeiro, podem dar frutos por muito tempo. Por isso o nome do evento final ser "missa de envio" (nome redundante). 

Agora é hora de os jovens oxigenar as comunidades de onde vieram. É tempo de saber se tudo foi só um "Woodstock cristão" ou se realmente foram lançadas as sementes para um País melhor. Permito-me fazer uma brevíssima avaliação do que senti com a JMJ, mesmo acompanhando tudo pela tevê, devido à impossibilidade de estar no Rio. 

Uma coisa me intriga. Como diamante, a Igreja têm muitas faces. Aquelas músicas, coreografias, celebridades são apenas uma delas. Até agora, estou querendo saber onde estavam e o que fizeram os jovens das pastorais sociais (camponeses, afro-brasileiros, indígenas, operários, encarcerados...). Aqueles que, à luz do Evangelho, questionam as mazelas de nossa sociedade. Sei que estavam lá, mas...

Um trecho de artigo publicado por Leonardo Boff logo depois do evento no Rio dizia: "Na Jornada, houve belíssimas celebrações e canções cujo tom era de piedade. Entretanto, não se escutaram as belas canções engajadas das milhares comunidades de base. Não se ouviram também suas belas canções que falam do clamor das vítimas, dos indígenas e camponeses assassinados e do martírio da Irmã Dorothy Stang e do Padre Josimo. O Papa Francisco enfatizou uma evangelização que se acerca do povo, na simplicidade e na pobreza. Repetiu muito: 'não tenham medo'. O empenho pela justiça social cria conflitos, vítimas e suscita medo, que deve ser vencido pela fé". (Para ler o texto completo, visite http://leonardoboff.wordpress.com/.)

Por isso, aos curiosos e "não praticantes", sugiro que conheçam mais do catolicismo e da Igreja. Nem só de água benta vive o povo de Deus. 


Falta de notícia?

Imagine que, na segunda-feira de manhã, hora depois de o Papa Francisco retornar para o Vaticano, um jornalista gastou preciosíssimos minutos da vida dele e da nossa analisando os "erros de português" do Pontífice. O negócio foi tão tosco que tive de parar para escutar. O coitado se preocupou mais com a forma do que com o conteúdo. Creio que nem meus colegas revisores devem ter se dado a esse trabalho. Que dureza!

 
 

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Bralívia: jovens bolivianos em minha paróquia (4ª parte)

Eu, David, que ficou hospedado em nossa casa, e Tânia
Pouco antes de irem embora para o Rio, David, um dos coordenadores da delegação boliviana, contou-nos que, naquele país, dizem que, se há lágrimas na despedida, o adeus será para sempre. Infelizmente, eu me esqueci de dizer isso aos meus irmãos de paróquia. “Hermanos y hermanas, ¡que Dios les bendiga! ¡Vuelvan siempre!”

Com os irmãos bolivianos, vimos o quanto é bom visitar os doentes, os asilos, divulgar Jesus, a Boa Notícia. Essa semente já havia sido plantada em nossa Paróquia. Nestes dias, os jovens visitantes e os voluntários ajudaram a adubá-la. Cabe agora a nós seguir o exemplo deles e, sempre que pudermos, fazer o mesmo. Os jovens que chegam de todo o mundo para a Jornada Mundial da Juventude não vieram ao Brasil apenas para turismo, mas para nos lembrar de que nosso Mestre, Jesus, era e ainda é um deles.


 

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Bralívia: jovens bolivianos em minha paróquia (3ª parte)

Outra surpresa nos dada por nossos peregrinos: os bolivianos olham com desprezo essa idiotice de McDonalds. Depois de muita articulação e total falta de interesse com aquele lixo de comida, os envenenadores do norte enfiaram o rabo no meio das pernas e vazaram de nosso país vizinho. Agora os nossos hermanos se preparam para "picar o pé" na Coca-Cola, já que, quem entende de coca são eles. O refrigerante americano (um remédio que não deu certo) será substituído por outro verde, produção local e, como me disseram, muito “rico” (gostoso). Depois dessa, fiquei ainda mais honrado em conhecê-los. 

Na caminhada da Praça do Papa até a Praça da Estação, a loja do McDonalds da Praça Sete, bem no Centro de Belo Horizonte, fechou as portas. Por que tiveram medo dos jovens cristãos? Durante o trajeto, alguns participantes cantavam “aborto não, vida sim”. De repente, da tumba estadunidense, uns três cabeludos, devotos do modismo, saíram e gritaram “aborto sim, vida não”. Depois voltaram para dentro do templo das comidas envenenadas. Estou imaginando o que os bolivianos devem ter pensado.

Sobre o fechamento da rede de "comida chatarra" (comida-lixo, em português popular), veja o documentário.  

 




terça-feira, 23 de julho de 2013

Bralívia: jovens bolivianos em minha paróquia (2ª parte)

Fernando e eu, com a bandeira dos povos andinos.
Os 22 bolivianos que estiveram em nossa Paróquia nos apresentaram uma cultura riquíssima, milenar, cheia de colorido, com muitas histórias para contar. Sem dúvida, vai muito além daqueles grupos que tocam flauta nas praças, o que também é muito bonito, em minha opinião. 

Nada que fazem é por acaso. Também têm um patriotismo que é exemplar para nós, brasileiros. Diferente de nossa classe-média-disney-burra, não acham brega homenagear a bandeira, cantar alguma música que represente a terra natal e têm orgulho em contar como são as coisas naquele país pra lá de explorado, no mau sentido.
Yamilka, uma das peregrinas, mostra uma forma de os bolivianos carregarem os bebês. Nosso brasileirinho adorou a ideia. Veja a carinha.


E, por falar em exploração, creio que a maior homenagem de nós, paroquianos e brasileiros, aos bolivianos seria, além das orações e do carinho, saber quem são as lojas e as fábricas que exploram a mão de obra daquele povo (e também de peruanos, paraguaios, haitianos...). Seria muito bom que nós, cristãos, deixassem esses estabelecimentos às moscas e, é claro, denunciássemos às autoridades os criminosos que fazem de escravos essas pessoas. Para mim, o avanço social também deve ser um fruto da Jornada Mundial da Juventude.


segunda-feira, 22 de julho de 2013

Bralívia: jovens bolivianos em minha paróquia (1ª parte)

Entre os dias 15 e 21 de julho, as dioceses católicas de todo o Brasil promoveram a chamada Semana Missionária, em preparação para a Jornada Mundial da Juventude, realizada no Rio de Janeiro. A Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, na divisa entre Contagem e Belo Horizonte-MG, na qual sou engajado, recebeu 22 peregrinos bolivianos. Gostaria aqui de fazer algumas considerações sobre a experiência que tivemos com nossos irmãos sul-americanos.

Diferente do que alguns poucos pensavam, mais por ignorância do que por maldade, os peregrinos bolivianos deram um verdadeiro espetáculo de delicadeza, educação, simpatia e, o mais importante, de humildade. Em pouquíssimos minutos, os 22 jovens viraram, para sempre, gente de casa. Creio que nossa comunidade nunca mais será a mesma depois da visita da delegação da Diocese de El Alto (o nome é autoexplicativo. O lugar é um planalto de 4 mil metros acima do nível do mar, ao lado de La Paz). 

Achávamos que acolheríamos os bolivianos, mas foram eles que nos receberam no coração de uma Igreja muito ativa, inteligente e caridosa. Acompanhados de nossos jovens e adultos, visitaram as famílias, oraram com os doentes, abraçaram os idosos, questionaram muitas coisas de nossa cultura e levou alegria para muita gente.

Na próxima parte, falarei um pouco de minhas impressões sobre a cultura de nossos visitantes.

terça-feira, 12 de março de 2013

O Papa não é a miss universo

Alguém, por favor, avise a alguns jornalistas que o conclave não é eleição de miss universo. O país de origem do novo Papa não é importante. Para esclarecer: existem cardeais latino-americanos (entre eles, obviamente, brasileiros), asiáticos, africanos com cabeça de europeus e europeus e norte-americanos com cabeça mais aberta do que muitos próximos a nós. Que dureza! Pronto, falei!



domingo, 3 de março de 2013

Ouviram minhas súplicas

Minhas preces foram ouvidas! Nesta semana, a TV Assembleia (MG) exibiu um programa em que três jornalistas (bons) entrevistaram Rodrigo Coppe Caldeira, professor de Ciências da Religião na PUC Minas. Foi um verdadeiro e espetacular massacre contra o senso comum no que diz respeito à sucessão do Papa, História da Igreja, desafios futuros e questionamentos (sempre válidos) contra os cristãos. O programa se chama "Sala de Imprensa". 

Recomendo até para os anticlericais devotos do modismo. Pode ser que, assim, tenham mais criatividade para questionar a Igreja com algo mais interessante e moderno do que só a tal Inquisição (praticada por várias denominações cristãs, INCLUSIVE a Igreja Católica, com fins mais políticos que religiosos). Espero que alguém da Itatiaia, CBN, Globo News, SBT e companhia tenha visto também. 

Como estou com um estoque represado de comentários mesquinhos, acho que vou ficar por aqui mesmo. Pronto, falei!

Assista ao programa:

Bloco 1

Bloco 2

Bloco 3





quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A imprensa e o conclave

Não sei o que está acontecendo com o jornalismo. Por preguiça ou por haver cegos guiando outros, nessa história de Papa, renúncia, conclave, Vaticano, crise na Igreja... até agora foi ouvido tudo quando é tipo de gente, mas pouquíssimos especialistas em Direito Canônico, conhecedores (cientistas profissionais) de História da Igreja, teólogos, estudiosos de Ciência da Religião, entre outros. Como a Linguística, a História, a Biologia e a Medicina, a ciência teológica também avançou muito nos últimos tempos e, posso apostar, esse pessoal tem muito a contribuir para o esclarecimento da sociedade.

Um exemplo: nesta semana, uma famosa rádio de BH, veículo chapa-branca a serviço da tucanália, ouviu o depoimento de jovens a respeito de algumas convicções da Igreja Católica (detalhe: convicções também de outras denominações cristãs). O primeiro a falar sequer sabia quem era o Papa (!!!), os outros, piores ainda... E ficou por isso mesmo.

Já conversaram com linguista, funkeiro, político, militantes de direita e de esquerda, muçulmano, ateu... Há gente graúda que está dando declarações solenes, mas, tenho certeza,  não pisa 
dentro de um templo católico há anos. Parece que são avançados, mas vi que até hoje acreditam em assombração, acham que crianças não batizadas vão para o limbo, horrorizam quando veem um padre tomando uma gelada, pensam que Deus é um homem barbudo com um açoite na mão, e por aí vai. Ou seja, estes, sim, estão na Idade Média. Como católico posso falar: o mundo avançou, moçada!

Em resumo, que preguiça, viu!!! Ainda bem que estou cercado de amigos que são bons jornalistas, senão eu já estaria lendo somente a Turma da Mônica. PRONTO, FALEI!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Oito considerações sobre a renúncia de Bento XVI

Desde que o Papa Bento XVI renunciou, no dia 11 de fevereiro, algumas pessoas comentam comigo (comigo?!) o fato. Por isso, digo que o negócio é o seguinte:

1. Senhores jornalistas, palpiteiros e católicos meia-boca, aprendam isto: quem governa a Igreja é o Espírito Santo e não o Papa. Se um Pontífice renuncia, logo se escolhe outro, e pronto!


2. Há alguns poucos anos, li um livro com uma entrevista com o Bentinho. Ele já havia anunciado que poderia fazer isso. Isso mostra que devemos levar a sério o que pessoas sérias escrevem. 


3. O velhinho foi macho pra caramba! Para quem gosta de poder pelo poder, ele deu um grande exemplo.


4. Em brevíssimo tempo, veremos uma cena raríssima, um Papa beijando o anel de outro (até agora, era surreal).


5. Estou me divertindo com a mídia sem criatividade. Aposto que o Fantástico até fará uma eleição simulada, para ver quem será o próximo bispo de Roma. Creio também que o Gugu fará uma investigação sobre as saídas de emergência da Capela Sistina, e a Sônia Abraão falará por dias, até descobrir que o Papa não morreu.


6. Estou aguardando o que a mídia escravocrata e as outras compradas dizerem qual é a importância de Aécio Neves para a escolha do novo Papa.


7. Uma das missões do Papa, além de ser bispo de Roma e sucessor do apóstolo Pedro, é ser um sinal visível da unidade da Igreja. Ele não é lutador de MMA (que selvageria!), técnico de futebol, executivo de multinacional ou personagem de programa de fofoca.


8. Como um católico, vou orar em agradecimento ao pontificado de Bentinho e pela boa escolha do próximo, que, sem dúvida, será respeitado e amado pelos milhões de irmãos que compõem a minha "laia".


Por enquanto, é isso. Se eu me lembrar de outra cornetada, publico aqui.