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terça-feira, 15 de julho de 2014

Depois do chocolate, perguntas


Perdoe minha ignorância, mas surgiram algumas perguntas, principalmente depois da sapatada que o Brasil tomou da Alemanha, no dia 8 de julho. Alguém, por favor, dê-me uma luz... Preciso de almas inteligentes que me tirem dessas trevas.

- O Brasil é uma tragédia no futebol e ficou entre os quatro melhores do mundo?
- Desde o "dia seguinte", as manifestações antigoverno voltaram a ser organizadas por quê? Antes tudo estava bem?
- Uma equipe que planeja, não gosta de improvisos tontos e disciplinada teria de perder para outra que é desorganizada e cheia de "gambiarras"?
- É verdade que jogar fora de casa e com a torcida contra é um fator que pode influenciar negativamente o desempenho de um time?
- O sujeito que vive gastando dinheiro na "Nova Guarapari" agora virou inimigo dos “hermanos”?
- Quem virou inimigo dos “hermanos” torcerá para o carrasco do próprio time?
- Os classe-média-disneys vaiaram também o hino da Alemanha, como fizeram com o Chile?
- Os negros da torcida brasileira ainda estão escondidos na ala VIP dos estádios e não saíram ou somos nórdicos mesmo?
- Por que as camisas amarelas não apareceram direito no jogo de Argentina e Holanda? O "povo" não era brasileiro com muito orgulho e com muito amor? (ah, acho que sei a resposta para esta... é porque não eram brasileiros, mas nórdicos mesmo...).
- Por que ainda não colocaram na Dilma e nos "petralhas" a culpa pela goleada?
- Por que nem mesmo o roupeiro ou gandula do Cruzeiro, campeão nacional de 2013 (conquistado, aliás, com folga) e líder do dificílimo campeonato no primeiro semestre de 2014, foi convocado para a Seleção? Será que os jogadores dessa equipe eram tão ruins assim ou a CBF quis "inovar"?
- Por que ninguém mais fala do penta, ganho em 2002, sob a liderança de Felipão? No futebol, como na política e nas artes, a memória também é curta?
- Por que estou falando da Seleção sendo que o meu time é o Guarani de Divinóps?

Até a outra tamanc... quero dizer, o outro jogo da Seleção.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Trânsito atrapalha manifestação por moradia


Reduzir a notícia de um protesto por moradia a apenas como ele atrapalha o trânsito é a forma mais antiga, mais sem criatividade, mais senso comum de ser senso comum. Como ouvi nestes dias, seria muito bom que a imprensa se preocupasse em apenas divulgar, e bem, os fatos. Pode deixar que nós mesmos os comentemos. A cada dia, estou mais decepcionado com nossa imprensinha escravocrata. Cruz credo!


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Do tempo em que cantor cantava

Gabriel García Márquez escrevia ao som de sua voz; 45 milhões de discos vendidos, sendo 20 milhões fora do Brasil; teve música cantada em vários idiomas; dividiu o palco com grandes cantores internacionais; primeiro latino-americano a vender mais de um milhão de discos nos Estados Unidos. Naldo, Luan Santana, Lobão, MC Catra? Não! Falo do magnífico Nelson Ned, a quem a crítica mal resolvida e preconceituosa brasileira apenas classificou como "brega". O "Pequeno Gigante da Canção", como o chamou Paulo Gracindo, é do tempo em que, para se gravar alguma coisa, era preciso saber cantar, e bem. Fiquemos de olho em outros preguiçosamente taxados de "bregas" por aí (Odair José, José Augusto, Amado Batista...). Valeu!

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Matrimônio: cuidado com os penduricalhos

A última: um jornal de Belo Horizonte publicou uma reportagem falando sobre a importância de haver um "assessor" para a cerimônia de matrimônio. Eu, católico descarado, digo: "NÃO É IMPORTANTE haver um assessor para a cerimônia na igreja". Por culpa de muitos (inclusive dentro de muitas paróquias), estão sofisticando demais algo que, por si só, já é muito bonito. Isso e muitíssimos outros penduricalhos encarecem a celebração e, o pior, acabam inibindo aqueles que desejam buscar a bênção nupcial, um sacramento, mas não têm condições financeiras. Muitas vezes, esses pobres são bilionários de espiritualidade e de comprometimento. Por interesses nada divinos, há gente complicando demais as coisas. Não nos esqueçamos das palavras de Jesus: "Meu fardo é leve, meu jugo é suave". Em resumo, voltemos às origens, ao óbvio, à essência.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Algumas considerações sobre a tal "Black Friday"

Se você me permite, tenho alguns comentários sobre esse negócio de Black Friday:

- a imprensa internacional está ridicularizando a campanha brasileira, chamando-a, com muita razão, de "black fraude";
- por que muitos de nós trabalhamos muito? Quase sempre é para consumir muito. E se consumíssemos menos?;
- se, mesmo assim, as promoções lhe parecem irresistíveis, antes de comprar, tente respirar e refletir sobre a diferença dos verbos "querer" e "precisar";
- não deixe de ver os conselhos dos Procons, eles são valiosíssimos nestes dias;
- "promoção imperdível" é somente quando precisamos de alguma coisa, no mais, é consumismo mesmo;
- de minha parte, preciso somente de um guarda-chuva, e o camelozão resolverá meu problema facilmente (qualquer dia desses, vou lá).

Seu eu me lembrar de outros comentários mesquinhos, vou colocar aqui. Se você tiver alguma coisa, pode partilhar também. No mais, boa sexta-feira, independentemente da cor que ela terá.


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Os "devotos" de São Judas

São Judas Tadeu
Pintura de Georges de la Tour
(1593-1652)
Alessandro Faleiro Marques

O apóstolo Judas Tadeu é o "Santo das causas impossíveis", como a imprensa e até alguns da Igreja dizem? Eu, católico desavergonhadamente assumido, digo: NÃO! O verdadeiro santo das causas impossíveis é só Jesus Cristo e nenhum outro. São católicos mais ou menos os "devotos" de São Judas Tadeu que estacionam o carro no ponto de ônibus, na contramão, em fila dupla e vão à igreja só pedir "coisas" para o apóstolo. Essas pessoas passam por cima da lei e do próximo para demonstrarem muita fé, mas poucas obras.

Segundo o Catecismo da Igreja Católica, os santos intercedem por nós e nos acompanham neste mundo. Infelizmente, muitos se esquecem de que eles foram fiéis a Cristo até o fim, a ponto de até serem assassinados por isso. Por essas e outras, os apóstolos Judas Tadeu e Simão, ambos comemorados em 28 de outubro, são homens que devem ser imitados por todos nós, cristãos, independente de denominações. 


Louvemos a Deus por Ele ter escolhido Judas Tadeu e Simão, seres humanos como nós, para serem duas das "doze colunas da Igreja". E não se esqueça de orar (ou rezar) por mim e por nossas famílias. Ah, estacionar em local proibido é pecado, viu!

Em tempo: um abraço a meu amigo Anselmo Morais, que faz aniversário neste dia 28!


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

A quem interessa a desvalorização do Estado

Alessandro Faleiro Marques

Interessante é a facilidade que o povo e a imprensa têm de culpar por tudo o Estado. Tudo é o governo, a presidenta, o prefeito... Sem querer tirar a responsabilidade que cabe a esses "entes", questiono: quando um motorista de ônibus deixa os passageiros para trás, é decisão desse trabalhador, e só dele, em prejuízo dos outros. Quando alguém avança o sinal vermelho, não se deve culpar o Estado pela violência no trânsito, pois o que o governo tinha de fazer o fez, que era colocar o semáforo. Quando uma escola, uma praça estão com equipamentos danificados, não é culpa do Estado, mas primeiro de quem as estragou culposa ou dolosamente.

Cobrar simplesmente a fiscalização é reduzir a conversa, pois a lei deveria ser seguida e pronto. Desde o fim da ditadura, em 1985, há uma campanha para desvalorizar o Estado. E isso vem dando certo, sobretudo pela engenharia feita por quem domina a comunicação.

Com essa brincadeira, sabe quem o está substituindo? As megacorporações, os bancos, os "investidores" (leia-se "especuladores"). Ah, para ajudar a consertar o problema do Estado que não funciona, há um momento só seu, garantido pela Lei: o voto. Tomemos cuidado com os discursos prontos e com quem quer pensar por nós.


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Fome, obesidade, desperdício: um problema de todos nós

Antônio Coquito

A afirmativa do senso comum de que o Brasil é o país da contradição traz à tona o debate e a busca de soluções no campo da segurança alimentar e nutricional sustentável. Trata-se do tripé “fome, obesidade, desperdício”. A ação direta nesse dilema é um chamado a toda sociedade, para assumir um papel de conscientização pública e reversão de indicadores preocupantes. Os desafios devem fomentar reflexão e busca de atitudes imediatas.

O Brasil é um dos principais produtores de alimentos do planeta. Temos a maior e mais rica oferta de produtos alimentícios. Dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (ONU - FAO) mostram que o nosso país produz 25,7% a mais de alimentos do que necessita para toda a população. Porém, dessa realidade, constamos que uns comem de menos, em condições inadequadas. Já outros, demais e com hábitos alimentares nada saudáveis. E, por fim, outros destinam boa parte dos alimentos ao lixo, configurando-se em toneladas de desperdício.

Fome

A radiografia da fome deve nos incomodar para a busca de soluções urgentes. Dados da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), relativa a 2009, apontam que 11,2 milhões de pessoas passaram fome no período. Os números dão conta de que 30% dos lares brasileiros não têm acesso regular e permanente a alimentos de qualidade e em quantidade suficiente.

A PNAD mostra que a fome brasileira tem uma identidade nordestina, rural, pobre, negra e de baixa escolaridade. Segundo dados da pesquisa, a situação de insegurança alimentar atinge aproximadamente 8,6% (nível moderada) e 7% (nível grave). Já na área urbana, os dados são de 6,2% (moderada) e 4,6% (grave). Em se tratando de regiões, o Norte e o Nordeste do Brasil apresentam níveis inferiores à média nacional no que se refere à segurança alimentar. Os Estados com situação mais grave são Maranhão (35,4%) e Piauí (41,4%). A pesquisa constata que, nesses Estados, nem a metade das residências têm alimentação saudável e em condições adequadas. A região Sul é a que tem melhores condições.

O grau de instrução está ligado diretamente às condições de insegurança alimentar. Os dados da PNAD mostram que quanto menor a escolaridade, mais precária é a alimentação. Segundo a pesquisa “Em 2004, 29,2% dos moradores sem instrução ou com menos de um ano de estudo apresentavam restrição na quantidade de alimentos moderada ou grave”. Já em 2009, a proporção caiu para 20,2%. Mesmo tendo melhorado os indicadores, a situação continua a desafiar os profissionais da área de nutrição.

Obesidade

O aumento de peso da população brasileira dá indícios de que temos um problema de saúde pública. Segundo dado da Organização Mundial de Saúde (OMS), existem no mundo mais de 1 bilhão de adultos com sobrepeso e 300 milhões com obesidade. A obesidade é fator de risco para problemas cardiovasculares, de diabetes, hipertensão arterial e certos tipos de câncer. Na saúde pública, o quadro de obesidade brasileira reflete em R$ 1,5 bilhão na conta do Sistema Único de Saúde (SUS).

Dados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do IBGE apontam que a obesidade cresce em todas as regiões do Brasil. Os números afirmam que “o sobrepeso atinge mais de 30% das crianças entre 5 e 9 anos de idade, cerca de 20% da população entre 10 e 19 anos e nada menos que 48% das mulheres e 50,1% dos homens acima de 20 anos”. Levando-se em conta o poder aquisitivo, entre os 20% mais ricos, o excesso de peso chega a 61,8% na população de mais de 20 anos. Também nesse grupo, concentra-se o maior percentual de obesos: 16,9%. No ritmo em que estamos, a previsão do IBGE é que, em dez anos, poderemos atingir os padrões norte-americanos.

Atenta aos dados de obesidade e sobrepeso, a Assembleia Mundial da Saúde, entidade deliberadora da OMS, chamou a atenção para o problema. Em seu documento, “Estratégia global em alimentação, atividade física e saúde”, a instituição adverte aos governos de todos os países que se comprometam em implantar políticas que estimulem padrões saudáveis de alimentação e de atividade física.

Desperdício

A trajetória do desperdício começa na produção de alimentos. O IBGE deu o alerta: “estamos desperdiçando cerca de 6 milhões de toneladas de alimentos”. Explicitando o desperdício, dados do Instituto Akatu, que trabalha pelo consumo consciente, 44% do que é plantado se perdem na produção, distribuição e comércio. Sendo, 20% na colheita, 8% no transporte e armazenamento, 15% na indústria de processamento e 1% no varejo. No consumo caseiro e hábitos alimentares, as perdas acumulam mais de 20%. No total, o desperdício significa algo em torno de 64%.

Os números do Akatu sinalizam que, ao mesmo tempo em que 14 milhões de brasileiros passam fome, “o restante da população joga no lixo 30% de todos os alimentos comprados”. Os dados o Akatu são reforçados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a qual constata que o brasileiro desperdiça mais do que consome. Os dados do IBGE confirmam o consumo de 35 quilos por ano. Unindo os dados da Embrapa e do IBGE, a perda é 2% maior do que o consumo. O índice de hortaliças chega a 37 quilos. Essa situação tem um perfil que aponta 20% em casa, 15% nos restaurantes.

A preocupação com uma ampla conscientização sobre o desperdício tem consequências econômicas, ambientais e sociais. Dedicando-nos a combater o desperdício e a promoção de bons hábitos alimentares, proporcionamos o acesso ao alimento para boa parte da população. Dessa forma, levando bem-estar e vida saudável.

Soluções

Onde há problemas, temos de buscar soluções. As iniciativas de reversão dos dados assustadores são diversas e podem ser realizadas por todos. Existem várias atitudes que envolvem os mais variados atores sociais. O importante é conhecer o contexto e agir. Um exemplo é a aquisição de produtos locais e, ou, regionais, além de mais saudáveis e com custo mais baixo, contribuem para diminuir a poluição e o desperdício causado pelo transporte.

Em casa, nos restaurantes, nas escolas e instituições, podemos implantar a cultura do aproveitamento integral dos alimentos. No preparo, sempre que possível, reutilizar as cascas e talos. Todos podem resultar em sucos e tortas, bem como enriquecer arroz, sopas, risotos e outros.

O quadro brasileiro é um convite à intervenção nas políticas públicas municipais, estaduais e nacional de saúde, segurança alimentar e cidadania. Nas políticas e nos programas sociais, encontramos canais efetivos para realizar ações com atuação local, que contribuam na reversão desta que pode ser considerada uma agressão conjuntural colocada diante dos nossos olhos.


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Curiosas medições da economia

Alessandro Faleiro Marques

Curioso: a cada dia, mais serviços nos Estados Unidos ficam paralisados por causa de picuinhas políticas entre eles. Empresas de lá e de outros países (inclusive do Brasil) estão tendo grandes prejuízos com essa bagunça típica de paisinho de ponta de aterro. Por que, então, ninguém fala do risco econômico estadunidense, do rebaixamento de nota por agências especializadas, de instabilidade, de artigo bombástico em revista inglesa...? Gostaria muito de ver o discurso dos neoliberais, até brasileiros, se o fechamento dos serviços tivesse sido do lado de cá. A politicagem de lá é mais refinada?


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Falta qualidade nas escolhas da alimentação fora de casa

Antônio Coquito*

Brasileiro está comendo mais açúcar, gordura e sal

O brasileiro come mal quando se refere à qualidade nutricional. A consequência da má alimentação é o crescimento de casos de câncer, doenças cardíacas, diabetes, hipertensão, obesidade, entre outros. Cerca de 70% da população fazem suas refeições em bares, restaurantes, lanchonetes e nos locais de trabalho e estudo. A realidade pode ser constatada na pesquisa sobre a Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

Como comemos

Café da manhã, lanches rápidos, almoço e jantares. A vida cotidiana força à “alimentação na rua”. Os dados coletados pelo IBGE e pelo Ministério da Saúde (MS) na Pesquisa Medidas Referidas para os Alimentos Consumidos no Brasil - Pesquisa de Orçamento Familiar (POF-2008-2009) mostram mudanças significativas no hábito alimentar. Arroz, feijão, café, sucos, refrigerantes e carnes bovinas continuam tendo seu lugar nas opções de alimentos.

A radiografia do hábito alimentar, constatada na POF, preocupa ao apontar o crescimento do consumo de açúcares, gorduras e sódio. Traduzindo: aumentou-se a ingestão de biscoitos recheados, salgadinhos, pizzas, doces e produtos com alto teor calórico e com insignificantes valores nutricionais. No contraponto, cerca de 90% dos brasileiros não consomem frutas, legumes e verduras, contrariando a orientação do Ministério da Saúde. Também tem sido extremamente baixa a ingestão de cálcio e vitaminas D e E.

Dados alimentares

O IBGE e o MS sinalizam que os hábitos dos brasileiros que vivem nas cidades concentram-se em salgados fritos ou assados (53,5%), pizza (42,1%) e sanduíches/hambúrgueres (41,8%). Ao lado desses dados, outros números preocupantes são os de bebidas em excesso: o consumo de destiladas (50%) e de não alcoólicas (47,9%). Já para a população que vive no meio rural, os dados apontam sorvete (56,3%), pizza (52,6%), salgados fritos e assados (48,4%), bebidas destiladas (26,4%), refrigerantes diet-light (31,5%) e o regular (36,5%).

Na zona rural, segundo informações do IBGE/MS, há grande consumo de arroz, feijão, batata-doce, mandioca, farinha de mandioca, manga, tangerina (mexerica ou bergamota), peixes frescos, peixes salgados e carnes salgadas. Porém, nas cidades, os alimentos em alta são os prontos para o consumo e, ou, processados, como o pão de sal, biscoitos, iogurtes, vitaminas, sanduíches, pizza e salgados fritos e assados. Além destes, os refrigerantes, sucos e cerveja.

Essas informações se somam aos dados recém-divulgados pela pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2011) que confirma a necessidade de mudanças nos hábitos alimentares. Os dados da Vigitel chamam a atenção para 49% da população brasileira com excesso de peso, configurado no alto consumo de refrigerantes e alimentos gordurosos.

Comportamento alimentar

O Instituto Data Popular averiguou o perfil do brasileiro que se alimenta fora de casa. De 65,3% da população, a classe C representa o maior percentual (54,6%). Seguindo, as classes D e E (20,6%) e as classes A e B (19,4%). Almoço, lanche, jantar e café da manhã: nessa ordem, estão as refeições feitas pelos brasileiros.

No conjunto das refeições, o almoço tem a maior concentração de pessoas. O fato se deve à jornada de trabalho levando a essa opção em ambiente externo à moradia. Do universo da pesquisa, as classes D e E correspondem a 69,5%. As classes A e B (69,2%) e a C (68,1%) realizam refeições fora do domicílio.

Os lanches são a segunda refeição com maior percentual. As classes D e E representam 61,3%. As classes A e B, 60,7%; a classe C, 57,2%. O jantar, que aparece como opção de lazer para os entrevistados, tem nas classes A e B o maior percentual (56,4%), seguido pela C (28,7%) e D e E (23,1%). Para o café da manhã, as classes D e E têm o percentual de 16,8%. Na segunda posição, aparecem as classes A e B, com 16,1%; e, na terceira, a C, com 10,9%.

Crianças e adolescentes

As informações da pesquisa IBGE-MS fazem um alerta, ou seja, uma de cada três crianças com idade entre 5 e 9 anos estão acima do peso recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo MS. No caso dos adolescentes brasileiros, os índices identificam que, na faixa etária de 10 a 19 anos, houve um salto de 3,7% (1970) para 21,7% (2009) nos casos de sobrepeso e obesidade.

Foi identificado que população infantojuvenil consome pouco feijão, saladas e verduras. Os números afirmam que 50% dos adolescentes comem fora de casa e consomem salgados (industrializados, fritos ou assados), pizza, refrigerante e batata frita. Dos números, “o consumo de biscoitos recheados foi quatro vezes maior entre adolescentes. Já nos sanduíches, os adolescentes e jovens adultos consomem duas vezes mais que os adultos e idosos”, cita o documento.

A consciência da opção saudável

Os dados do IBGE/MS dão conta de um desafio nos hábitos alimentares saudáveis fora de casa. A conscientização centrada na boa educação alimentar deve ser uma atitude permanente, contribuindo para a qualidade de vida de todos nós.

Em relação às crianças e aos adolescentes, os profissionais de nutrição ligados à alimentação escolar têm papel fundamental ao desenvolver ações de conscientização pelos hábitos saudáveis junto aos estudantes, pais, trabalhadores da educação e população em geral.


* Jornalista, especialista em Marketing e Comunicação com Ênfase Temáticas Sociais, Cidadania e Direitos Humanos, Políticas Públicas, Desenvolvimento Sustentável e Responsabilidade Socioambiental.

sábado, 28 de setembro de 2013

Nosso nome, nossa autoestima

Alessandro Faleiro Marques*

Ninguém melhor do que nós mesmos para saber como um nome é importante. Ele costuma trazer não só a nossa história, mas também a de nossos pais, as escolhas e as inspirações que tiveram antes de nós chegarmos a este mundo de Deus. Mas, quando eles se descuidam, somos condenados a passar a vida inteira soletrando ou ouvindo comentários inconvenientes. Uma irritante e pesada cruz verbal.

Tempos atrás, publiquei no Quase sem Mistério um comentário sobre o nome do principezinho inglês, filho dos badalados William (Guilherme, em português) e Kate (apelido de Catarina). Disse que os brasileiros logo começariam a copiar o nome bebê: George Alexander Louis (Jorge Alexandre Luís). E não deu outra. Agora, os mais “espertos” desenham as letras num pedaço de papel e têm somente o trabalho de entregá-lo ao atendente do cartório; os outros, ainda mais “espertos”, ditam a frase para o coitado do outro lado do balcão e joga para ele a responsabilidade da grafia. A depender do caso, o resultado de ambas as opções pode ser explosivo e, pior, tragicômico.

Estou impressionado com a baixa autoestima dos brasileiros. Temos um dos mais belos e vivos idiomas ocidentais, muito sonoro e suave, com suas inúmeras e ricas variantes. No entanto, muitos de nossos nomes modernos têm origem no inglês, francês, italiano (como o meu, mas ele me encanta) e, quando muito, em latim, russo ou grego. Outros vieram de lugar nenhum. Frutos de puro modismo, mau gosto, idolatrismos, ignorância, caricaturas lexicais, fundamentalismos. Aparecem até apelidos e sobrenomes gringos. São graças sem graça.

Muito além da celebrada antropofagia dos modernistas, alguns prenomes são verdadeira violência contra os bebês. Experimentei constrangimento alheio quando soube de um trabalho de escola. A bem intencionada professora pediu aos alunos que pesquisassem em casa o motivo da escolha de seus nomes. Muitos pais não souberam responder, e os pequenos devolveram em branco o outrora alegre formulário.

Ainda no âmbito escolar, algumas crianças, mesmo em séries mais avançadas, têm dificuldades de grafar como se chamam. Também, diante de tanto k, y, w, h (mudo ou não) e letra dobrada... Não é necessário existir uma lista fechada como em Portugal, mas um pouco de carinho e bom senso faz grande diferença.

Nome de tudo é algo sagrado. É a substância, o substantivo. No Mito da Criação, Deus apresentou ao primeiro homem as criaturas para que este as denominasse. E o Criador respeitou as escolhas de Adão (Gn 2,19-20). Herdamos daí o “nome de batismo”. Por essas e outras, Deus, o Cara, o Todo-poderoso e cheio de bondade, também nos chama pelo nome, por isso devemos caprichar.

Viver é fácil


Para quem gosta de corrigir texto dos outros (nem olhe para mim!), lembro que as regras de ortografia também valem para nomes próprios. Isso vale para pais e profissionais dos cartórios. Outra coisa, alguns podem, sim, ser traduzidos, como de papas e monarcas. Em Portugal e países de língua espanhola, a soberana da Inglaterra é chamada de Isabel, o herdeiro direto é o príncipe Carlos, pai dos príncipes Guilherme e Henrique. O Papa Francisco (em português e espanhol) atende por François, Francesco, Franciscus, Francis, Franciszka e Franziskus, respectivamente em francês, italiano, latim, inglês, polonês e alemão.

E mais, não somos obrigados a pronunciar como em outro idioma. É um equívoco, por exemplo, rir de quem diz “Freudi” (em vez de Froidi) ao se remeter ao Pai da Psicanálise. Por aqui, as letras “e” e “u”, quando juntas, têm som de “eu” e não de “ói”. Desconheço lei que nos obrigue a saber alemão. Para testar, experimente pedir a estrangeiros a leitura de alguns nomes brasileiros. Surpreenda-se! A baixa autoestima cultural também se vê no mundo acadêmico.

Uma curiosidade: depois do falecimento de um cidadão, podemos adaptar a grafia do nome e sobrenome para a norma atual. Portanto, Raphael pode virar Rafael, sem estresse! Como diz meu amigo Jefferson (carinhosamente chamado por nós de Genésio), “Viver é fácil, nós é que complicamos”.

Eu e alguns amigos levantamos alguns nomes em listas, notícias e até obituários (sim, nossas crianças morrem) (veja a seguir). Um espetáculo de criatividade de uns e de gosto pra lá de duvidoso em outros; visto, é claro, pelo âmbito do idioma. Quando foi possível, procurei separar certos duplos ou triplos. Deixo ao seu engenho uni-los. Meus sinceros respeitos aos donos e meus protestos a alguns dos “adãos” de hoje.

Aia (no dicionário, veja o significado)
Albenirson
Aleçandro (a intenção da moça do cartório foi boa)
Aleksander (Alecsander, Alexsandre, Alexssander...)
Alessandro (você acha que ficaria de fora desta lista?)
Alexanderson
Carolinny (e derivados: Karollini, Karollyny, Carolliny...)
Cauan (e derivados: Cawã, Cauãm, Cauã...)
Cinddykelli
Cindy Kelly (a mãe pediu que as palavras fossem lidas juntas e rapidamente)
Cleidiney (também Kleydinney, Kleidinei, Creiddiney)
Clis Albert (achei também Chris Alberty e Crizalbertty)
Creydinei
Creópatra
Cristhynna (Kristtyna, Khristynna...)
David (em português, há muito tempo, não é mais necessário o “d” final)
Dedislayne (também Dedysllane e Dadislanny, obviamente tudo com pronúncia em inglês)
Diana (é claro que em pronúncia inglesa parecida com “Dæian”, e dezenas de derivados: Dyanne, Dianny, Dayane, Daiani, Deianne, Dayyanny...)
Dieghytto
Drynielle
Ednelson (também Edynewson)
Elleyr
Erectina
Eryk (e derivados Hériki, Ériki, Érickky, Heryky... os acentos foram por minha conta)
Farmy
Franklin (um brasileirinho da gema)
Gernerson
Gideone
Grayce
Grauciney
Greis Kele (e os nobres Creicikely, Greyciquelli)
Isabella Karolliny
Izabbely (e derivados Ysabella, Yzabelly...)
Jane Kelly
Jannaynnah (Janaína)
Jennyffer (Gennyfer...)
Jessyka (e derivados Géssika, Jhéssica, Jecica, Gecica)
Jhenifi
Jhonatanael
John Kennedy (é lógico que não poderia faltar um)
Jocycrey (Jocicley, Jociklei: quando eu puder, farei um comentário sobre este nome)
Kace (também Keici, Keyce, Keyccy...)
K.L.Jay
K.S.Jay (mesma família do anterior)
Kate Suellen
Kathlin (e também Kathllyn e muitíssimos outros derivados)
Kayanne
Kaylane Kerolin
Kellya (achei com a pronúncia Kélia e Kelía)
Kimberlly
Letisgo (pronuncia-se como o inglês “let’s go!”)
Leydianny (também Leidianne, Leydiano, Leidianno, Leyddyanne...)
Mardenson
Marllony
Marlon Filipy
Mayki
Maykssuel (e centenas de bilhões de derivados)
Maykou Jékson (é claro que o rei do pop não ficaria de fora!)
Mygnocca (Minhoca, em nossa pronúncia)
Nathanaelsson
Neon
Neviton (pronuncia-se Néviton)
Niccolly (e também Nicolly, Nycolli, Nyccolly...)
Nittyelli
Ozzeny
Paolette (masculino)
Pollyanna (Pollianny e trilhões de derivados que não caberiam aqui)
Rikelme Wilkker (e também Riquellmi, Riquelmmy...)
Rizzia
Ronald Hector (também Ronnaldy, Ronalddy...)
Ruan (derivado do espanhol Juan. Também vi Juán, Xuan, Ruwann)
Scoth Traback
Suenny (também Swene, Suweny)
Syndycley (e variantes Cindycley e Sindicrey)
Talysson
Thalles Fellippe
Víctor (não se deveria acentuar nesse caso)
Waldisney (inspirado em Walt Disney, mas com som de “v” no início; também achei Valdisnei e Ualddisney)
Walliton (também Wallyton, Wallitson...)
Wandeyrson (pronúncia inicial com “V”)
Yulária
Yzabbel (e derivados Isabbel, Ysabbel e até Usabell)
Zenoelson

Deixe seu comentário, contando se você conhece algum nome que merece entrar nessa lista. Também você pode dizer se gosta de seu nome ou se você irá se inspirar nesse rol.


* Professor, revisor de textos e especialista em Direito Público.


sábado, 21 de setembro de 2013

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Ruas “esquecem” a dívida pública

Alessandro Faleiro Marques*

Nas ainda enigmáticas manifestações de junho, todo mundo reclamou de tudo e em todo lugar. Mas parece que um tema ficou de lado ou entrou na antipauta dos grandes conglomerados de comunicação: a dívida pública brasileira.

Maria Lucia Fattorelli, coordenadora da Auditoria Cidadã, contou à IHU On-Line, do Instituto Humanitas Unisinos, que quase metade do orçamento federal de 2013 era destinada ao pagamento da dívida pública brasileira. Isso representa, pelo menos oficialmente, 900 bilhões de reais para quitar juros e amortização. Para se ter ideia do estrago disso, 71,7 bilhões foram previstos para a educação, 87,7 bilhões para a saúde e 5 bilhões para a reforma agrária.

Assombrosamente, jamais essa dívida passou por auditoria, contrariando o artigo 26 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988 (veja abaixo). E as aberrações seguem. O pagamento dessa carga tem prioridade sobre todos os outros investimentos, segundo Maria Lucia. Quando falta o dinheiro para os credores, logo ele é tirado das reservas destinadas aos serviços essenciais, como educação, segurança, saúde e transporte públicos. Nesse ponto, FHC, Lula e Dilma leem quase na mesma cartilha, como os antecessores, desde a ditadura.

Para os críticos ou defensores do “Bolsa Família”, uma porção de pólvora para animar o assunto. No orçamento de 2013, o que se gastaria no programa social durante todo o ano corresponde apenas a nove dias de encargos com a dívida. O programa pretendia atingir a 13,5 milhões de famílias, por outro lado, pouquíssimas instituições financeiras daqui e de fora, detentoras dos títulos, receberiam a gigantesca fatia do bolo. Maria Lucia Fattorelli, de forma precisa, chama a esse pagamento “bolsa rico”. O pior, nada garantiria o uso de todos os 22 bilhões previstos para o Bolsa Família, pois poderiam ser bloqueados para aplacar a ira dos credores.

Quanto os investimentos em educação, o orçamento de 2013 programou 71,7 bilhões de reais. Isso é 12 vezes menor do que o valor voltado para a dívida e 1,44% do PIB projetado para este ano. Já mandaram avisar: os sonhados 10% do PIB para nossos educadores e estudantes devem ser alcançados só em 2023. Mais gasolina no fogo: míseros 9,3% são destinados a estados e municípios, esferas mais próximas do povo. A maior parte dos gastos na educação é financiada justamente por essas esferas. Com esse modelo, é difícil crer num sólido desenvolvimento do Brasil.

Apenas 24,57% da dívida têm juros atrelados à taxa Selic, a outra parte tem índices ainda maiores e totalmente controlados pelos bancos e desfavoráveis a nós. Como sou das Letras e não dos números (mas não menos cidadão por isso), menciono que há uma série de outras manobras contábeis e retóricas, todas graves e denunciadas por Maria Lucia e por instituições dedicadas a essa causa. Eu quase ia esquecendo: na primeira metade de 2012, a dívida interna alcançou 2,74 trilhões de reais (trilhões!), e a externa, 416 bilhões de dólares.

O tema, como se vê, é amplo, mas fundamental para se direcionarem os debates. Protestar contra o neoliberalismo, o capitalismo, a corrupção, o governo é generalizado demais e pouco produtivo. Um verdadeiro néctar ideológico para os dominadores. Conforme progredirem os acontecimentos, é bom todos nós ajustarmos o foco e não nos esquecermos de que já nascemos devedores de alguma coisa, até de dinheiro.

O que diz o artigo 26 dos ADCT (ano de 1988)

Art. 26. No prazo de um ano a contar da promulgação da Constituição, o Congresso Nacional promoverá, através de Comissão mista, exame analítico e pericial dos atos e fatos geradores do endividamento externo brasileiro.
§ 1º - A Comissão terá a força legal de Comissão parlamentar de inquérito para os fins de requisição e convocação, e atuará com o auxílio do Tribunal de Contas da União.
§ 2º - Apurada irregularidade, o Congresso Nacional proporá ao Poder Executivo a declaração de nulidade do ato e encaminhará o processo ao Ministério Público Federal, que formalizará, no prazo de sessenta dias, a ação cabível.


Em outro artigo, mostrarei o resultado da corajosa auditoria na dívida do Equador. Surpreendente!


* Alessandro Faleiro Marques é especialista em Direito Público, professor e revisor de textos.


sábado, 14 de setembro de 2013

Aparição ou assombração?

Alessandro Faleiro Marques

Realmente há muita ovelha perdida por aí. Agora uma tal Fraternidade e outros promoters esotéricos andam agendando "aparições" da Virgem Maria por todo lado. Precisa ver o monte de gente, principalmente de católico meia-boca, aglomerou-se para assistir ao "fenômeno". 

Pessoal, não perca tempo! Vá para casa e assista ao futebol e até à "bendita" novela. De repente, rola até de passar num botequinho e tomar uma gelada. Com certeza, se a companhia for boa, os ganhos espirituais serão muito mais proveitosos. Quem gosta de ver mágica, que tal ir a um circo? Não seria melhor valorizar um artista?

Em tempo: quem quiser saber o que Maria tem a dizer e, o melhor, ver o exemplo que ela nos deixou, basta consultar os Evangelhos. Se tiver tempo e curiosidade suficientes, veja também os Atos dos Apóstolos e o Apocalipse. Está tudo lá!

No mais, estou achando é que essa gente anda vendo mesmo é assombração! Cruz credo, ave Maria!

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

A Veja, o MST e a minha formação

Eduardo Sabino*

Na semana passada, entre goladas de cerveja, alguém me falou sobre investimento em educação, e me lembrei de que o governo de São Paulo renovou milhares de assinaturas da revista Veja para escolas da rede estadual. Outro dia, na tevê, a Dilma falou sobre investimento na educação, e me lembrei de que o governo paulista renovou milhares de assinaturas da revista Veja para escolas públicas de São Paulo. Hoje, no Facebook, alguém falou sobre o danado do investimento, tão desgraçadamente necessário, e me veio à cabeça, mais uma vez, os exemplares da Veja chegando às escolas.

Há quem enxergue essa situação sem revolta e angústia. Afinal, a revista não entra sozinha na biblioteca escolar. Trata-se de uma opção, uma narrativa de mundo a mais. Compete ao professor, caso decida usá-la, fazer isso de modo crítico, multifacetado, produtivo.

E quando isso não ocorre?

Regresso dez anos no tempinho que já gastei por aqui e caio exatamente no final do ensino médio, na escola pública onde estudei. Penso no significado dessas revistas numa época não tão distante. Meu colégio comprava ou recebia gratuitamente exemplares, e a leitura era incentivada nos trabalhos letivos.

Recordo os cartazes com recortes de reportagens, os debates em sala de aula, a explanação dos professores. Tive bons educadores, que seguiam por caminhos amplos, mas, para muitos, a Veja era um recurso pedagógico dos mais confiáveis.

Havia casos de possessão. As ideias da revista Veja se personificavam no meu ex-professor de Geografia. Quem não crê na “teoria da bala mágica”, na qual a mensagem midiática atinge o cérebro do receptor como uma bala certeira, sem resistências, deve abrir ao menos uma exceção para esse cara. Levava a Veja pelos corredores como um crente com a Bíblia debaixo do braço. Contra a revista não se emitiam argumentos.

Detinha um jeito de super-homem, um poste jogando luz em formigas. Não aceitava ser interrompido. Perguntas eram postas pelo palestrante em dois blocos: o das coisas que ainda seriam comentadas e o das que já foram faladas e não receberam a devida atenção do aluno com dúvidas. “Pergunte aos seus colegas. Quem pode explicar para ele?”. E dá-lhe papagaios com a mão erguida.

Discussões? Não havia espaço para isso. Se o questionamento persistisse, ele oferecia o giz ao aluno rebelde, colocava o posto à disposição e acabava logo com a teimosia do infrator. “Quem é o professor aqui?” Se brotasse uma conversa paralela, nem que fosse sobre o conteúdo da aula, ele se sentava para folhear a famigerada revista. Seguia lento e tranquilo, até estarmos todos em silêncio. O silêncio das folhas em branco.

Sobre o MST, aprendemos a cartilha da Veja. O problema do Movimento dos Sem-Terra passava longe da reforma agrária (e da falta dela), da concentração de terras nas mãos de latifundiários, da Constituição da República, na qual o direito à moradia e a sobrevivência está à frente do direito à propriedade.

O problema do MST era o próprio MST. Disputas internas, vandalismo nos protestos e “oportunismos típicos do jeitinho brasileiro”. Para entendermos melhor, o professor X desenhava no quadro os sem-terra como bonequinhos com enxadas nas mãos. “Vamos supor que esse fulaninho aqui ganhou o seu terreno. Ele se dá por satisfeito? Não, ele volta ao movimento.” Não ocorria jamais ao papagaio da Veja o quanto o movimento se enfraqueceria se os “oportunistas” o abandonassem ao receberem seus benefícios.

Nenhum fenômeno sobrenatural acontecia para mostrar como aquele cara estava errado. A aula era uma rua sem saída. Saíamos dela mais ignorantes e preconceituosos. Como questionar? Havia uma relação de confiança com o texto profissional. Livros, jornais e revistas eram apresentados como suportes da verdade. Se estava escrito, estava certo.   

A vida também pode ser um processo de desintoxicação mental. E tive a sorte de conhecer amigos, livros e professores que me ajudaram a enxergar as coisas de forma menos superficial.

Fechados os parênteses da experiência pessoal, digo, sem medo: não chego a dar pulos de alegria quando falam em investimento educacional. Quase sempre se referem à educação como essa máquina de tornear peças para o mercado e fazer as mercadorias circularem. A educação que forma trabalhadores, consumidores, e às vezes deixa escapar, como defeito de fábrica, um sujeito pensante. Uma educação para o mercado, fechada para o restante do mundo, longe de contribuir para a emancipação do homem.

Dito isso, desejo melhor sorte aos moleques das milhares de escolas abastecidas com a revista Veja. Que a internet e seus compartilhamentos de boas ideias ajudem vocês a ridicularizem um possível professor de Geografia alienado e metido a besta. Que o exemplar da Veja, novinho, recém-chegado na biblioteca da escola, permaneça no plástico, isolado em cofre de chumbo, e não contamine ninguém.


* Escritor e jornalista.



sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Começa é assim... o Dia do Irmão

Alessandro Faleiro Marques

Esse tal de Dia do Irmão (5 de setembro) está me cheirando armação para movimentar a máquina econômica. Ocorreu o mesmo com o Dia das Mães, das Crianças, dos Pais, dos Namorados e até o Natal. Começaram em abraços, cartões, flores e terminaram em corre-corre e tumulto em lojas. Não nos esqueçamos de que este início de setembro é meio morto para o comércio. Perdoe-me o chavão, mas irmãos (e mulheres, pais, avós, crianças, mães...) devem ser homenageados o ano inteiro.


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Jovens engajados, imprensa e JMJ

Jovens de pastorais sociais participam do
Grito dos Excluídos, em 7 de setembro de 2012, em São Paulo-SP


Bem que eu notei que faltava alguma coisa... Na Jornada Mundial da Juventude, os veículos de comunicação registraram a grande festa dos jovens no Rio de Janeiro. Muita dança, som alto, olhinhos fechados e mãozinhas pra cima louvando e aplaudindo a Jesus. Alguma coisa me fazia perguntar onde estariam os jovens das pastorais sociais da Igreja. Por onde andariam, na Jornada Mundial da Juventude, os engajados nas pastorais afro-brasileira, indígena, da terra, da juventude, da criança, operária, da saúde...? Até que, tarde da noite, um jornal da Rede Pública de Televisão (repito, Rede Pública) mostrou que, felizmente, esses nossos irmãos estavam lá. Com bandeiras dos respectivos grupos e do Brasil, cruzes e faixas, protestavam profeticamente contra as injustiças em nosso País. Não vi nada deles nas emissoras católicas e muito menos nas grandes emissoras (é claro!). Estou feliz por ser irmão desses jovens que denunciam as trevas e anunciam a luz. Esses, sim, às vezes silenciosos e quase sempre silenciados, enchem-me de orgulho de ser cristão e explicam verdadeiramente por que nosso Papa tem nome de Francisco. Pronto, falei!


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Culinária ogro

Torresmo, você não vale nada, mas eu gosto de você! Tenho-o dito! Pronto, falei!

domingo, 25 de agosto de 2013

Clericalismo?

Não tenho resposta para estas perguntas: de repente, tornar-se um cristão animado e interessado porque o Papa atual também é animado, interessante e carismático não seria uma forma de clericalismo? E se ele, como humano que é, falhar em alguma coisa? A fonte do ânimo de um cristão não deveria ser Cristo, sempre? No mais, o Chico está matando a pau!

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Preciosíssimos amigos

Acredita que eu já joguei futebol? Quero dizer, joguei não, eu estava lá... Alguns de meus preciosíssimos amigos em foto histórica tirada lá pelo ano de 1997. Dinheiro não tenho, mas sou milionário de amizades. Mooooorram de inveja!


Escalação

De pé, da esquerda para direita: Júlio (meu irmão), Anselmo, Edson, Omar e Alan
Agachados: Cláudio Luciano (Lu), eu, o pequeno André e Fábio.

Felizmente tenho tantos amigos que daria uma arquibancada cheia. Graças a Deus!