sábado, 4 de agosto de 2012

Dia do Padre

Neste Dia do Padre, gostaria de agradecer a todos os presbíteros que passaram por minha vida e que ainda fazem parte dela. A cada um, o meu reconhecimento. Agradeço por doar-nos sua vocação, suas virtudes e limitações, sua saúde, seu tempo. Que Deus fortaleça os fracos, inspire ainda mais os sábios e dê ânimo aos que são engolidos pela gigantesca missão. O mundo sem vocês, meus caros, seria muito sem graça. Valeu por tudo e que São João Maria Vianney interceda por todos.

Copa do Mundo e promoção das cidades

Dizem que a Copa do Mundo ajuda a promover a cidade para o mundo inteiro. Estou aqui pensando... não me lembro de nenhuma da África do Sul onde houve jogo. Sobre Joanesburgo e Cidade do Cabo eu já tinha ouvido falar muito antes, mas não foi por causa de futebol não. Sei lá... acho que isso é papo pra boi dormir. Imagine se um sujeito lá dos Emirados Árabes, de Gana, da Noruega, da Rússia ou da Coreia irá se lembrar de Cuiabá, Curitiba, Belo Horizonte, Natal, Brasília, Fortaleza... Por mais letrado que seja, ele vai continuar pensando que Rio de Janeiro (ou Buenos Aires) é a capital do Brasil, que Salvador é na África e que São Paulo é vizinha de Nova Déli. Pronto, falei!

sexta-feira, 16 de março de 2012

Páscoa mais ou menos

Dizem que os ovos de páscoa (desta vez, em minúscula mesmo) estão quase 40% mais caros neste ano. Quem sabe ou procura saber o que é a Páscoa (maiúscula) comemora a data e não precisa se submeter a esse joguinho mesquinho do mercado. Recomendo que deixemos os tais ovos se perderem nas lojas... Que fiquem lá, dependurados, batendo na cabeça dos desavisados. A verdadeira Páscoa, festa da vida, é mais saborosa que um reles chocolate! Pronto, falei!

quinta-feira, 15 de março de 2012

Esses caras não se entendem

Engraçado... cada hora os "especialistas" estão com uma. Diziam que o abacate era gorduroso e maléfico, agora dizem que faz bem; que o leite era ruim para os adultos, agora, que faz bem; que a pimenta era prejudicial para a saúde, agora não. A última é o ovo e a banha de porco. Dizem que fazem bem, e muito! Estou esperando a vez da cerveja, para eu tomar uma gelada e ficar de consciência tranquila. Pronto, falei!

terça-feira, 13 de março de 2012

Heim, jugo hereditário!?

Esse povo me arruma cada coisa... Quando penso que vi a imbecilidade em si, vem outra ainda maior. Alguns cristãos (amadores) arrumaram uma tal de "oração de quebra do jugo hereditário". Para mim, uma aberração com todas as letras, acentos e vírgulas. Significa que um determinado mal passa de uma geração para outra, e a tal reza quebra isso. Isso vai contra qualquer bom senso primário do cristianismo. Para os seguidores de Jesus, sejam católicos, ortodoxos ou evangélicos, não existe isso. Cada um no seu quadrado, cada um se responsabilize por seu próprio pecado e todos pela santificação do outro. No cristianismo, não há carma, purificação individual por meio da reencarnação e outras dívidas eternas (estas, só as do Brasil mesmo). A redenção dada por Jesus não é meia-boca, mas plena. Não precisa de remendos. Nada mais a declarar sobre o caso, e que me perdoem os que se ofenderam. De minha parte, eu não retiro o que disse. Pronto, falei!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O escritor que tinha preconceito pelo feio

Lamento o falecimento do escritor Bartolomeu Campos de Queirós. Ele era muito bom e me ensinou a ter um "profundo desprezo" por muitos políticos e não pela política. Ele também gostava de dizer que o mundo é um grande livro a ser lido por nós e que tinha um grande preconceito pelo feio do mundo. Ele era mais conhecido fora do que dentro do Brasil. Era um sábio. Uma grande perda para a literatura.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O que tenho a declarar sobre esse tal de "tablet"

Não estou nem aí para quem não gostar, mas digo algumas de minhas opiniões sobre esse tal de tablet (tabuleta, em português), iPad (e similares):

- extinguirá a guerra de bolinhas de papel nas salas de aula;
- não nos permite rasgar as páginas chatas, profanas ou imbecis e jogá-las solenemente no lixo;
- não nos possibilita usá-lo em casos de emergência gastrointestinal;
- tem um "P" maiúsculo no meio da palavra (modismo ortográfico totalmente ridículo, como a maioria dos modismos);
- abolirá os aviões, os chapéus e os barquinhos de papel;
- faz os adeptos acreditarem cega e simploriamente que o meio é mais importante que o conteúdo;
- gostaria de ver como seriam as artes em dobradura ("origami") feitas de páginas virtuais;
- não nos permite usá-lo para equilibrar mesas;
- se cair no chão, já era;
- exterminará os marcadores de página artisticamente trabalhados e dados como lembrancinha;
- faz muitos medíocres acreditarem que sabem tudo de tecnologia;
- leva alguns mais medíocres ainda a cultuarem o tal fundador da Apple;
- desperta a "religiosidade" de idiotas que acendem velas virtuais pela alma do mesmo tal fundador enquanto eles "orgulhosamente" desprezam a cultura religiosa em si;
- abolirá aqueles bonequinhos de mãos dadas, que fazemos para aplacar a ira de meninos pirracentos;
- não tem cheiro de livro novo (cujo valor só os bons leitores conhecem);
- enquanto se lê o tal "e-book", não se tem a sensação de que o livro está chegando ao fim;
- um conteúdo virtual sem neurônios reais que o processem vale muito pouco;
- condenado a virar peça de museu em poucos anos (quer apostar?);
- não faltam pessoas e governos que saem distribuindo o aparelho para educadores, mas não se preocupam em valorizá-los como seres humanos e profissionais (isso vale também para os salários);
- desperta o ridículo e ingênuo deslumbramento dos adultos; enquanto isso, crianças e adolescentes mais atentos veem o treco como algo mais normal do mundo e tiram sarro dos admirados;
- documentos antiquíssimos impressos em papel, couro, pedra e barro existem até hoje, quero ver isso sucederá com as tais maquininhas.

Para evitar ambiguidades, se alguém quiser me dar um desses trecos, eu aceitarei de bom grado. Arrumarei alguma função para ele.

Quem quiser, pode completar. De minha parte, tenho-o dito.



sábado, 5 de março de 2011

Tiririca, o Sério

Alessandro Faleiro Marques*

Talvez pela costumeira falta de foco, incompetência ou por “ordens superiores”, a imprensa nacional e até a estrangeira estão apontando excessivamente os holofotes para o deputado federal que mais ganhou votos no Brasil, o Dr. Francisco Everardo Oliveira Silva, o palhaço Tiririca. Nos últimos dias, as jocosidades diárias ganharam fôlego depois de o Dr. Tiririca estrear na Comissão de Educação e Cultura da Câmara. Logo ele, dizem alguns, suspeito de ser analfabeto e ter de passar por um exame para comprovar o conhecimento da língua que ele e nós usamos desde pequeninos.

A Carta de 1988 reforçou o direito de cidadãos se candidatarem a cargos eletivos, respeitados alguns requisitos. Jornalistas, comentaristas e pseudointelectuais estão com as lentes viradas para um único lado. Doutor Tiririca, sustentado pela norma legal e moral, apenas exerceu seu direito. Candidatou-se e foi votado. A maioria de nós tem essa prerrogativa. Por parte desse artista, não houve coação de eleitores, abuso de poderes econômico e político, sequer tinha a ficha suja, segundo os novos modelos (pelo menos até agora).

Mais do que fazer chacota do parlamentar, os palpiteiros, profissionais ou não, deveriam começar a analisar quem o mandou para Brasília: as centenas de milhares de eleitores paulistas, muitos certamente nascidos nos mais diversos cantos deste País. Gente que desconhece a importância do processo democrático e vota por votar. Pela democracia é que estamos assistindo ao sangue jorrar em várias partes do mundo, em especial no Oriente Médio e Norte da África. Brincar com ela é zombar, e isso não tem graça.

Sua Excelência disse que defenderá os direitos dos palhaços e apoiará a causa dos circos. Lembro-me de que o caos em que se encontravam esses locais de diversão foi tema até de um Globo Repórter. Alguém tem dúvidas de que o espetáculo circense é uma louvável face de nossa cultura?

Questiono os motivos de não haver o mesmo rigor com outros políticos, inclusive os escolhidos em outros tempos. Os palácios por este Brasil estão cheios de “artistas”. De dono de castelo encantado a driblador, dos que se acham deuses, grandes dançarinos ou cantores aos sonhadores (talvez estes sejam até necessários), dos mágicos aos vilões. Numa democracia, deve-se lembrar de quem foi votado e de quem votou, e ambos devem cobrar e serem cobrados.

Doutor Tiririca, à Vossa Excelência os meus respeitos.


* Alessandro Faleiro Marques é professor, redator e revisor de textos. Texto original publicado no site Caos e Letras (www.caoseletras.com).

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O cavalo que era burro

Alessandro Faleiro Marques*

Aquele quadrúpede ali, de boca requebrante a moer o capim. Quem o vê nem imagina o que o bicho já fez pelo bairro, talvez pela cidade. Não sabe, mas hoje é o último expediente dele e do dono no serviço de entrega de uma loja de materiais de construção. Enfim saiu a aposentadoria. Não sabe.

Sempre pronto, do seu jeito, acha que ainda hoje carregará mais algum peso no veículo atrelado ao dorso. Meio cansado, meio disponível, rói o milho que acaba de ganhar do velho homem, com quem trabalhou uns bons anos. Parece estranhar o quitute raro, afinal não estava muito acostumado com algo além do capim cortado nos cada vez mais raros lotes vagos pelo caminho.

Inverbalizado, sente que o dono está estranho, falando mais baixo, bem diferente dos roucos gritos pré-chicote, outrora mais vigorosos. Ganha um inédito afago de dois homens, os mesmos de sempre, que costumam colocar na carroça aquilo que ele deve carregar. Também, hoje, conversam leve.

O mamífero orelhudo, meio censurado pelas viseiras, viu as ruas dali se alterarem. Aos poucos, foram sumindo os atoleiros e alisando-se o piso. O antigo silêncio, algumas vezes quebrado por algum moleque, cantar de galo ou martelar, foi dando lugar ao ruir de motores, depois às sirenes e até aos estalares estranhos aos seus ouvidos. Estes últimos, notava sem muita pretensão, eram quase sempre seguidos de gritos, de mais roncos mecânicos e, logo em seguida, de apitos de emergência. Nunca escondeu de ninguém ser os estampidos cheirando a enxofre os mais a incomodá-lo, sendo responsáveis pelos quase acidentes e açoites mais nervosos do velho que agora o dá outra espiga.

Ele não sabe, mas deveria ganhar uma estátua ou pelo menos uma placa lá na pracinha, cuja grama já lhe foi mais abundante. É o último dia. Ninguém reconhece, mas o cavalo é quem ajudou a construir a comunidade. As viseiras o impedem de entender isso. Coitado!


* Alessandro Faleiro Marques é professor, redator e revisor de textos. Texto original publicado no site Caos e Letras (www.caoseletras.com).

domingo, 12 de dezembro de 2010

Dedos voltados para o céu

Alessandro Faleiro Marques*

(Dedico este texto a Márcio Almeida, grande teólogo, a quem devo algumas palavras há muito tempo.)

As residências já piscam para as celebrações de Natal. Obviamente, as lojas acenderam as estéreis luzes há muito tempo, pouco se importando com o sábio ritmo litúrgico desta época (aliás, nem devem saber o que é isso). Alguns entre tantos também arrumam a casa do próprio espírito. Buscam festejar, da forma mais digna possível, o nascimento de Jesus.

Neste ano, minha reflexão se baseia numa foto publicada num noticiário da internet. Uma imagem extremamente chocante para mim, na qual um muçulmano reza de dedos voltados para o céu. Nada de mais, não fosse a mancha amarela viscosa no rosto do homem. A mácula foi causada por ovos lançados pela dureza de alguns “cristãos” ortodoxos de Atenas. Os agressores acusam os filhos de Alá, a maioria imigrantes, de causarem distúrbios na área. Os agredidos denunciam preconceito e afirmam faltar a eles um lugar digno e seguro para o culto, sendo obrigados a se reunir numa praça.

Creio que eu, um frágil seguidor de Cristo, teria dificuldades profundas de orar num ambiente desses. Mas o moço está de olhos entreabertos. De boca silenciosa e rosto humilde, louva o Deus de Abraão, nosso pai comum. A cena me deixa inquieto até hoje. O maior sentimento é de profunda vergonha por meus patrícios espirituais terem violado um momento tão importante para os discípulos de Maomé. O outro é de penitência, de reconhecimento das limitações de minha veia transcendente. Nunca conseguiria concentrar-me, nem mesmo em pose para a foto. Por último, de compaixão por islâmicos, cristão, umbandistas, judeus, budistas e outras pessoas que ainda sofrem ataques por causa de sua crença, seja na Grécia, na Palestina, no Iraque, no Brasil, na China ou em qualquer lugar.

Aos heróis da verdadeira fé, seja ela qual for, minhas homenagens neste Natal. Rezarei por quem faz da religião um caminho mais curto de chegar ao Deus, autor da vida, por aqueles que pouco se importam com as “tendências atuais” e, assim, multiplicam a herança de paz e justiça de legítimas assembleias orantes. Seja nosso louvor o “escândalo” não só no tempo de pisca-pisca, mas por todo o ano. E que todos tenham um lugar onde fazer isso.


* Alessandro Faleiro Marques é professor, redator e revisor de textos. Texto original publicado no site Caos e Letras (www.caoseletras.com).